sábado, 30 de maio de 2015

Maratona. Fazer ou não fazer, eis a questão! (ou... Quem nasceu para meio maratonista, que se contente com os 21km mesmo! :) )


Mas afinal de contas, por que eu estou aqui correndo isso tudo?
Pra provar alguma coisa pra alguém? Pra mim mesma? Vale a pena?

Essas foram as perguntas que me acompanharam durante praticamente todos os 42.195m da maratona de Cordoba.

Progredir nas distâncias é algo quase intrínseco ao corredor.
Começamos com um trotezinho básico, enchemo-nos de felicidade com os primeiros  5km e a alegria da primeira prova de 10km é dificilmente esquecida.
Depois disso, invariavelmente, começamos a paquerar com a meia maratona.
De 10 pra 21 é muita coisa, sendo por isso mesmo  um processo um pouco mais demorado e ficamos meio que sonhando com o dia em que atingiremos essa marca, que, sendo batida, nos faz pensar que somos seres “especiais”, diferentes dos demais “mortais”, afinal, somos MEIO MARATONISTAS.

Aí, como corredor é meio louco (e muito ambicioso) começamos a olhar e sonhar de longe com ela, a prova das provas, a rainha maior, o sonho de consumo: A MARATONA.
Admiramos os maratonistas e olhamos para eles com  respeito, afinal, são seres "poderosos", determinados, que conhecem as dores e delícias de correr 42km e, secretamente, começamos a pensar em nos tornar um deles.

Mas, se dos 10 pros 21 já é um longo caminho, dos 21 pros 42 então......
Não tem problema. A gente vai lá. Treina, treina, treina e chega o dia da coroação máxima de tornar-nos maratonistas, igual a Filípedes (que na verdade correu foi 233km...). Glória total.
E aí passamos a acreditar que podemos tudo!

E comigo não foi diferente.
Passei por todos esses passos e sonhos para depois de 5 anos de corrida fazer minha primeira maratona.
Primeiros 42km feitos, achei que podia tudo. E emendei logo mais 2 provas de 42 no curto espaço de 11 meses. Resultado? Lesão.
Se existe uma coisa que tenho pavor é lesão! Não pela dor ou demora de tratamento, mas pelo fato de ter que parar de correr.
Então, coloquei na minha cabeça que não iria mais correr maratonas, pois não queria me lesionar e, consequentemente, parar de correr.
Mas.....
No fundo eu sabia que “O” dia iria chegar.

Decidida a fazer mais uma maratona e provar pra mim mesma que ainda sou capaz (apesar dos anos que estão passando...), me cerquei de cuidados, sendo o principal, contratar um treinador, afinal, treino pra 21km eu sabia fazer, mas pra 42, sabia não...
O Duda montou três meses de planilha pra mim, que eu segui à risca.
Treino pra maratona é pesado. Longões longos.....

Como sempre, fiz todos os meus treinos sozinha.
Aos sábados, dia mundial do longão, estacionava o carro no Iguatemi, enchia de garrafas de água congelada e saía pra correr. Os últimos kms (uns 10 ou mais), eu já percorria rodando o estacionamento do shopping, feito peru, mas assim podia pegar minha água e também evitava um pouco mais o sol.

Ah, o sol!
Esse é um capítulo à parte.....
Correr 30, 32km no sol de Fortaleza, com certeza nos faz capazes de correr ultra maratonas em qualquer lugar do mundo menos quente!
E, nesses treinos muito longos, o sentimento que mais me marcou foi o da "falta de saco".
Sim. Lembro de uma vez que queria fechar os 35, mas quando cheguei nos 32, apesar de ainda me sentir com fôlego, bateu uma falta total de saco e de paciência. E parei. Chega. Tá bom. Que venham logo esses 42!

E eles vieram.
Não sem antes (menos de 1 semana), uma gripe literalmente me derrubar e me tirar dos treinos por uns 4 dias.
Pronto! Já insegura e sem treino na última semana, comecei a achar que não estava preparada.
Viajei. Na 5a. feira,   sentindo-me melhor, fiz um treino de 6km (!) em Córdoba.
Ah meu Deus! Corri no máximo 32km já faz DUAS semanas, pego uma gripe de moer, fico “um bocado” de dias sem treinar, faço só um treinozinho de 6km na 5a. feira.....
Será que eu vou conseguir?

Quer mais? Quer mesmo?
Pois lá vai: na sexta-feira, DOIS dias antes da prova, acho que de ansiedade, chegou uma baita diarreia. Isso mesmo. Agora lascou! 😀
Sozinha, com passeio agendado em agência de turismo, decidi mesmo ficar no hotel quietinha, com 5 litros de água que comprei, bananas e maçãs. Daqui não saio.

Mas a noite chegou e a rua em que eu estava hospedada era cheia de bares.....
Quer saber? Eu tô na AR GEN TI NA! Vou ficar aqui presa numa noite de sexta-feira não!
Desci pro bar embaixo do hotel, fiquei observando o movimento da rua e pedi uma QUILMES ao garçon, com queijo de tira gosto e o danado me trouxe ainda uma porção de amendoim de cortesia! Pronto! Agora acabou tudo de vez! Agora Inês morreu e minha maratona foi pro brejo! Que seja!

No sábado ainda não estava 100% do intestino, mas me enchi de água e banana novamente, fiquei em repouso absoluto (só no “zap zap” com amigos e treinador, tentando me acalmar) e deu certo, meu intestino me deu paz!
No domingo, não tinha como fugir e fui encarar o que estava me apavorando.
Estava mesmo muito insegura com todos esses acontecimentos.


Uma cearense inquieta e apavorada esperando a largada

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Maratona de Córdoba/Argentina - 03/05/2015

Depois de três meses de dedicação aos treinos, finalmente lá estava eu em Córdoba, na Argentina, pra morrer de ansiedade antes de correr minha 4a. prova de 42km, quase cinco anos depois de ter percorrido pela última vez essa distância.