segunda-feira, 3 de setembro de 2012

10 Milhas Garoto - Vitória-ES (2 setembro 2012)


Desde que me entendo por gente como corredora, que a prova 10 Milhas Garoto tem estado na minha lista de consumo. Por não conhecer Vitória, por achar que deveria ser show correr sobre a ponte que sempre ilustra a corrida ou talvez pelo meu lado chocólatra que imaginava um kit com toneladas de chocolates e postos de água com “nescau” em caixa gelado e bombons à vontade, sempre quis correr essa prova.

Finalmente 2012 seria o ano das minhas 10 Milhas em Vitória-ES e para tal me programei, chegando na capital capixaba no sábado e indo do aeroporto direto pegar o kit da prova em Vila Velha, a antiga capital do Estado, local da fábrica de chocolates Garoto.


Corredora curitibana conhecida no voo - campeã master em provas de pista

O kit é entregue somente até às 16 horas do sábado, véspera da prova, o que achei cedo, principalmente para atletas que chegam de outras cidades. Como cheguei já nos finalmente, estava tudo muito tranqüilo e sem filas.
Logo na entrada tive o prazer de encontrar com o corredor/jornalista Rodolfo Lucena, que me falou estar participando da prova pela 3ª. vez e reclamou do horário de largada (8h), devido o calor forte, fazendo logo a ressalva: “você, como é cearense, não se importa com isso..”. Ah "se sesse!"


Com Rodolfo Lucena

Com o kit na mão, que, pra minha decepção não tinha nem unzinho chocolate, o jeito foi apelar pra lojinha de fábrica da Garoto pra fazer a feira, "matar o verme" e levar alguns chocolates pras minhas crias que já contraíram o vício da mãe.


Eita paraíso!!!

E olha só quem eu vejo logo na entrada da loja! O Cangaceiro, corredor da cidade de Iguatu que costuma participar das provas caracterizado e que eu já conhecia e o “Índio”, legítimo representante na aldeia Tabajara da cidade de Monsenhor Tabosa, que atualmente mora no Rio de Janeiro.



Conversei com ambos e conheci um pouco a história do Índio: praticante de esportes de luta desde muito novo, em razão de uma séria lesão no ombro, foi chamado por uma amigo pra correr. Nas primeiras corridas, apaixonou-se de um jeito que nunca mais deixou. Logo no início teve lesões nas panturrilhas. Tentou troca de tênis e outros tratamentos, sem resultado. Foi quando se lembrou que, quando criança, andava e corria sempre descalço. Tirou então os tênis, passou a correr descalço e as lesões sumiram para não voltar. Hoje, com 65 anos (28 de corridas), já participou de 20 maratonas, sendo a última com o tempo de 3h45min. Gaba-se da saúde perfeita que tem e é um propagandista do esporte. Figuraça!

Com minha obrigação feita, aproveitei o restinho da tarde para conhecer a Praia da Costa e o Convento da Penha, em Vila Velha.
Um dos santuários mais antigos do Brasil, o convento fica em um morro, de onde se tem uma bela vista tanto de Vila Velha quanto de Vitória.


Convento da Penha


Visão da Terceira Ponte do Convento da Penha


Vitória

No kit da prova, veio pra cada corredor um convite para o jantar de massas, na própria fábrica da Garoto, mas, como meu hotel ficava em Vitória, não me animei para o jantar. Mesmo porque não havia convites à venda para acompanhantes, então, após a visita, hora de provar a famosa moqueca capixaba e finalmente descansar para a prova do dia seguinte.


Moqueca capixaba


Tudo pronto

As 10 Milhas Garoto nasceram em comemoração aos 60 anos de fundação dos chocolates e em 2012 foi sua 23ª. edição.
Além da prova principal, com vagas limitadas para 6 mil corredores, tem também a Corrida Garotada (na 11ª. edição, com distâncias de 800m e 3km), para crianças até 17 anos e que acontece em Vila Velha.
A premiação da corrida é muito boa, o que atrai corredores de fora, entre eles os imbatíveis africanos. Uma coisa que achei legal foi o prêmio de um carro zero para o 1º. brasileiro e a 1ª. brasileira, além de premiação para o 1º., 2º., e 3º. capixabas.
A largada é na praia de Camburi. 7 horas a largada dos atletas especiais, 8 horas a elite feminina e 8:15 a elite masculina e a geral.
Meu hotel ficava bem próximo à largada e fui caminhando. Na concentração, muita animação, baias por tempo (quase nunca respeitadas) e um céu de brigadeiro mostrando que o sol iria fazer sofrer mesmo a cearense!



Praia de Camburi vista do hotel




Achei minha turma


Largada dada, começou a festa.


Muito público ao longo do percurso, trânsito controlado, faixas incentivando os atletas,  postos de água gelada em garrafinhas a cada 2km e, no km 4 chega o que eu tanto esperava: a Terceira Ponte, com todo o seu trajeto de Vitória-Vila Velha interditado para os corredores.


Começo da ponte e da subida

Antes de correr eu estava em dúvida se levava minha câmera comigo. No trajeto de taxi para Vila Velha, ao passar pela ponte e ver o visual, decidi que levaria sim, esqueceria qualquer intenção de “fazer tempo” e iria curtir a corrida, a vista e tiraria fotos. Decisão acertada.
A vista da ponte é muito linda, ainda mais com o mar amarelo de corredores. É lindo, mas não é fácil! Com quase 4km de extensão, sendo os 2 primeiros de subida, muita gente nessa hora caminhou. Eu, com minha câmera na mão, segui correndo, parando e fotografando.


O mar de corredores

Mais corredores 
Lindo visual

Alegria, alegria!

Convento da Penha visto da ponte

Ao sairmos da ponte, entramos em Vila Velha e o público nas ruas, sempre incentivando, aumentou ainda mais.





Banho de mangueira para alívio dos corredores

São 10km pelas ruas da cidade até a chegada em frente à fábrica da Garoto, onde tem uma arquibancada armada para o público acompanhar os atletas chegando e a entrega da premiação.



Cheguei bem na hora da premiação feminina, que, como a masculina, deu quenianos. Os melhores brasileiros foram Giovani dos Santos (3º.geral) e Cruz Nonata (2a. geral).
A entrega da medalha (linda!) e do kit alimentação (com Nescau, suco, barra de cereal, biscoito e DOIS chocolates), foi tranqüila.


Premiação feminina

Muitas tendas de assessorias e um palco com uma banda de rock animando os corredores.






A Xuxa Capixaba


Com certeza!!!

Tudo muito animado, mas eu ainda queria conhecer um pouco Vitória, que eu aprendi no colégio ser uma das 3 capitais insulares do Brasil (juntamente com Florianópolis e São Luís).
Formada por um arquipélago com 33 ilhas e uma parte continental, talvez por ficar espremida entre Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, a capital do Espírito Santos não é um local muito lembrado por quem pensa em fazer turismo.



Não tive tempo de visitar a cidade como gostaria e limitei-me à orla, na praia de Camburi.
Com calçadões largos, ciclovia e quadras de esporte, nos domingos a rua fica interditada pela manhã para os ciclistas, skatistas, corredores e pedestres.


Praia do Camburi e o calçadão interditado para o lazer


Hora de relaxar depois da prova

Duas pequenas ilhas – Ilha do Frade e Ilha do Boi – são os locais das melhores residências da cidade e de onde se tem uma bela vista.
Nas noites de sábado e domingo, uma feirinha com barraquinhas de comida e artesanatos anima a Praia do Canto, ao lado da Praia do Camburi.


Vista da parte continental

Muito bonita e agradável a cidade.
A prova eu simplesmente adorei. Fora o horário da largada, que maltratou de verdade os corredores, inclusive com muitos passando mal e sendo atendidos pelos médicos, pra mim tudo foi perfeito. Somente no dia seguinte, lendo as notícias em blogs e em jornais, foi que soube que, para os corredores mais lentos, faltou água em vários postos. A desculpa foi a de sempre: água calculada em cima do número de inscritos e a falta deveu-se à presença dos “pipocas”. Toda prova tem pipoca, portanto, falta imperdoável pra uma prova tão especial.
Apesar de não ser rápida, a falta de água não me afetou e deixei Vitória satisfeitíssima com a prova e a cidade.









8 comentários:

Djacir disse...

Maravilhoso, Lia.
Uma viagem emocionante.
Parabéns.
Lindo mesmo.
Abraço de seu fã.
Djacir.

Anônimo disse...

Vc tá mlr que qq site de informação sobre prova! A comunidade de corredores agradece! Cheguei do treino e n tirei nem o tênis pra ler, ainda tô suando ;-)
Gigi

JOSÉ AMÂNCIO NETO - CORREDOR DA 3ª IDADE disse...

Olá Lia,
Maravilha, maravilha, maravilha!!! seu relato está simplesmente sensacional! Parabéns. Eu também gosto de "esquecer" a corrida e fotografar e já fiz isso algumas vezes. Posso dizer que você "arrasou"!
No período de 27 a 30 do corrente mes estarei "matando a saudade" de minha querida Fortaleza. Quem sabe encontrarei você e seu grupo para fazermos um longão por sua orla maravilhosa. Abraços.

Lia Campos disse...

Bom que vocês gostaram.
José Amâncio, vamos marcar um treino quando você estiver aqui em Fortaleza.
abs
Lia

Osmir Foltran disse...

Parabéns Lia. VC escreve muito bem e cativa quem está lendo.
Tbém sou outro fanático por chocolates..rs.

Abraços
Osmir

Osmir Foltran disse...

Parabéns Lia.
Vc escreve muito bem. Gostoso de ler.
Parabéns tbém pelas fotos.

E guarda um chocolate para mim que tbém adoro.

Abraços
osmir

helengospel disse...

Lia , seu blog é uma viagem, que maravilha!! A título de sugestão coloca no face a foto 'quem corre é mais feliz', tem muita gente mal humorada precisando disto. Um abraço helena.

Rosana disse...

Q belo relato, Lia. Só achei uma pena não ter chocolate no kit. Rsrs
Bjs