sexta-feira, 8 de março de 2013

Parabéns diário para nós, mulheres



E o dia de hoje, 8 de março, é dedicado a nós,  mulheres.
Por outras razões, bem diversas do esporte, mas foi na área esportiva, especificamente na corrida de rua, que fui em busca de histórias femininas.

Uma das mais lembradas e, do meu ponto de vista, uma das mais interessantes,  é a da americana Kathrine Switzer, conhecida como a mulher que mudou a história quando entrou “escondida” na Maratona de Boston em 1967, época em que as mulheres  nem sonhavam em  participar da competição.

Quando tinha 12 anos, Kathrine resolveu ser líder de torcida mas não teve a aprovação de seu pai, que achava que a filha deveria fazer algo mais "nobre" e a incentivou a praticar esporte.
Entrou então para o time de hóquei no colégio e como corria diariamente, foi convidada a integrar uma prova masculina de cross country que precisava de mais um integrante.

Na universidade, como não havia time feminino, treinou no time masculino de cross  e foi lá que conheceu Arnie Briggs, um maratonista que já havia participado de 15 edições da Maratona de Boston e a incentivou a participar da prova.

Foi então que, aos 20 anos, Kathrine inscreveu-se na maratona com o nome de K.V. Switzer.

No dia da corrida, os outros corredores, apesar de surpresos a apoiaram  e os fotógrafos, quando a viram correndo, gritavam espantados “tem uma garota na corrida!”.

Mas o diretor da prova não gostou nada de vê-la correndo entre os homens e foi gritando em sua direção para que ela parasse e tirasse seu número de peito.


O momento em que o diretor da maratona tentou retirar Kathrine da prova




Ao ver a cena, seu namorado conseguiu empurrar o diretor, enquanto os outros corredores a “escoltaram” e  Kathrine continuou correndo, terminando os 42 km em 4:20 horas.

Depois disso, somente em 1972 as mulheres puderam finalmente fazer parte da prova mais nobre do atletismo e a primeira  maratona oficial  feminina foi nos Campeonatos da Europa de Atletismo, em 1982, vencida pela portuguesa Rosa Mota.

Enquanto  em 1967  Kathrine Switzer sobressaiu-se por correr em uma maratona até então somente para homens, nas olimpíadas de Londres em 2012, as estrelas foram as mulheres de nações muçulmanas que estavam ali pela primeira vez representando seus países, quebrando barreiras, preconceitos e entrando para a história, como a corredora de 800m da Arábia Saudita Sarah Attar, que correu usando mangas compridas, calça e véu, o hijab, e, mesmo chegando por último e bem atrás de todas as outras, foi aplaudida pelas 80 mil pessoas presentes no estádio.




Atualmente milhares são as mulheres corredoras em todo o mundo. 
Nos EUA as  corredoras já ultrapassam os corredores, representando 53%!

No Brasil,  ainda falta muito para alcançarmos esse número, mas, de acordo com o Departamento de Corridas de Rua da Federação Paulista de Atletismo (FPA), nos últimos cinco anos o número de mulheres participantes de eventos subiu 101,86%. Boa notícia.

Então, todo o mundo comemora hoje o dia da mulher, o nosso dia.
Comemoração essa que acho injusta, porque convenhamos, para as  corredoras ou não corredoras, mas nós, mulheres lutadoras, que frequentemente precisamos “matar um - ou mais - leão por dia”, conciliando tarefas particulares, domésticas, maternas, conjugais, etc, etc, etc, deveríamos receber os parabéns não apenas no dia 8 de março, mas em todos os outros 364 dias do ano.


Grande corredora, Paula Radcliffe, atual recordista mundial da maratona

2 comentários:

Anônimo disse...

Pensei que você tinha se enganado na data, 1967. É muito recente mesmo a participação da mulher em maratonas.

Lia Campos disse...

A participação das mulheres não só em maratonas, mas em várias outras coisas na nossa sociedade é bastante recente.....