terça-feira, 20 de novembro de 2018

Manaus, muito além do seu famoso Teatro - setembro/2018


Teatro Amazonas

O Amazonas, maior estado brasileiro, é detentor de riquezas que no exterior são sinônimos de Brasil: a floresta (ou o que ainda resta dela) e o rio Amazonas, o maior do  mundo.

Foi da floresta que saiu a borracha, a responsável por colocar Manaus, sua capital, no centro da riqueza do país por um tempo, fazendo com que ficasse conhecida no começo do século XX como a “Paris dos Trópicos”, tamanho o esplendor da época.
 
Manaus nem sempre foi Manaus e nem sempre foi capital do Amazonas.
No início, a vila fundada pelos portugueses às margens do Rio Negro  tinha o nome de Manaos, devido à tribo indígena dos Manaós, que habitava a região.
A sede da então capitania de São José do Rio Negro era a atual cidade de Barcelos, passando a ser Manaós somente em 1808 (até então  na verdade ainda chamava-se Lugar da Barra). 

O tempo passou e foi na época do ciclo da borracha (fim do século XIX e começo do século XX) que a cidade viveu todo o seu esplendor, com a construção de vários prédios opulentos, como o Teatro Amazonas, de 1896, que teve dias de glória com apresentações de artistas europeus para a elite seringalista.

Foi principalmente nesse centro histórico manauara que concentrei minha visita e, para quem vai à capital com o objetivo de conhecer um pouco sua história, saiba que vai encontrar prédios bem conservados, hoje transformados em museus e/ou espaços culturais, invariavelmente com visitas guiadas.

O roteiro pode ser feito todo à pé. Apesar de não ser muito fácil caminhar no calor da cidade, ainda assim considero essa a melhor opção.

O início pode ser o Teatro, que oferece visitas guiadas todos os dias. Andamos pelos corredores, camarotes e antigos camarins.



A região do teatro é muito bonita.
Bem em frente fica o Largo de São Sebastião, com o monumento em homenagem à abertura dos portos do Amazonas ao comércio exterior, em 1866, assim como a Igreja de São Sebastião (1888). Ao redor do largo, casas antigas que se transformaram em sorveterias, bares, restaurantes, deixando a noite bem animada.

É nas ruas ao lado do teatro que ficam dois excelentes restaurante especializados em comida local, o Caxiri e o Tambaqui de Banda, cada um de um lado.

Igreja de São Sebastião
Largo de São Sebastião com o monumento de abertura dos portos e a igreja

De frente ao teatro, opção de compra de artesanato indígena mais “elaborado” na Galeria Amazônica. Colado a ela, a Musa do Largo, um espaço de exposição.

Galeria Amazônica e a Musa do Largo


Peças de artesanato da Galeria Amazônica

Do lado direito do teatro, o belíssimo prédio do Palácio da Justiça, antiga sede do Poder Judiciário da cidade e hoje, museu. Vale à pena a visita guiada.

Interior do Palácio da Justiça

Próximo passo, numa breve caminhada, o Museu Casa de Eduardo Ribeiro.
Essa casa ficou totalmente em ruínas mas foi reconstruída  para contar a história de um importante personagem da história de Manaus, o político Eduardo Ribeiro, governador por duas gestões e responsável pelo crescimento da cidade, inclusive responsável pelo término da construção do Teatro Amazonas. 
Achei curioso o fato de Eduardo Ribeiro, que era maranhense e negro, aparecer em   todos os quadros pintados dele na época com a pele branca. Retrato do preconceito da época.

Retrato pintado de Eduardo Ribeiro

Mais um pouco de caminhada e chegamos à Praça Dom Pedro II e o Paço da Liberdade (1879), prédio que abrigou o Governo ( infelizmente estava fechado para reforma). 

Ao lado, o Palácio Rio Branco, a antiga Assembleia Legislativa e a rua Bernardo Ramos, uma das primeiras da cidade, muito linda com suas casinhas coloridas. 

Rua Bernardo Ramos

Caminhando por ela, deparei-me com a placa “Centro de Medicina Indígena da Amazônia”. Entrei e conversando, descobri que são índios da etnia Tukano que oferecem consultas de um Pajé e vendem remédios feitos na comunidade. 


Claro que quis me consultar com o Pajé e qual não foi minha surpresa quando, ao entrar na sala, ser acompanhada por sua neta que passou a traduzir para a língua tucana o que eu falava em português pois o pajé falava mal minha língua. Matei a curiosidade de ouvir uma das línguas nativas do Brasil.

Com o Pajé e sua neta

vídeo da consulta com o Pajé


Afastando-se um pouco do Teatro Amazonas, mas ainda no centro,  o Palacete Provincial, antigo Quartel da Polícia Militar, abriga hoje cinco espaços: Museu de Numismática, Museu da Imagem e do Som, Museu de Tiradentes, Museu de Arqueologia e a Pinacoteca do Estado. Visita repleta de aprendizado, fora a beleza do prédio.

Palacete Provincial

Depois do Palacete Provincial um prédio belíssimo: o Palácio Rio Negro.

Construído por um “barão” da borracha alemão, é impressionante ver o exagero de lugar onde ele morava sozinho com a esposa. Posteriormente o local foi sede do Governo e hoje é mais um museu.

Palácio Rio Negro

Interior do Palácio Rio Negro

Aproveitando estar ali, caminhe só um pouco mais e vá ao Museu do Índio.
Esse museu foi criado em 1952 e ainda hoje á mantido pelas irmãs Salesianas, que ao longo do tempo foram coletando peças pelas missões indígenas das quais fizeram parte,  junto aos povos que habitam a região do Alto Rio Negro. É um belo acervo de 3 mil peças catalogado e explicativo, dividido em seis salas. 

Uma das salas do Museu do Índio


A caminhada foi puxada então a dica é deixar o Mercado Municipal para outro dia.

Na ida para o mercado, passagem pela Catedral e pelo Relógio Municipal, encomendado da Suíça, além do antigo prédio da Alfândega, um dos primeiros prédios pré-fabricados do mundo, que está abandonado mas que continua belo.


Relógio Municipal

É no Mercado Municipal Adolpho Lisboa (1880) onde pode-se encontrar artesanatos e comidas locais, como a infinidade de peixes amazônicos, o pirarucu, tucunaré, tambaqui. E tem açaí, tucupi, jambu.... Enfim, é aquela festa de mercado. Além disso, o prédio é mais uma joia local, com duas fachadas totalmente diferentes, igualmente belas.


Pirarucu

Outra fachada do mercado

Em frente ao mercado, o famoso Rio Negro. É de lá que saem as excursões para ver o encontro das águas e onde ficam ancorados barcos que transitam por aquela imensidão de água.

Rio Negro

Porto flutuante de onde saem as excursões

Foi dali que parti para minha excursão de 1 dia, chamada Safari Amazônico, com saída às 9h e retorno às 17h.
A primeira atração do passeio é o famoso encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões. De um lado, um rio barrento, do outro, as águas negras. Caminham lado a lado sem se misturar por 6 km.

Do nosso barco, as águas que não se misturam
Rio Solimões X Rio Negro

Seguimos então navegando, passando por comunidades ribeirinhas e suas casas sobre palafitas e flutuantes. Nas casas flutuantes paramos para ver um pequeno criatório de Pirarucu, o maior peixe amazônico, seguido por um local com vitórias regias, onde fizemos nossa parada pro delicioso almoço com iguarias locais.

Comunidades ribeirinhas

Vitória Régia

Às 3as, 5as, sábados e domingos, o passeio pode incluir o mergulho com os botos. Por R$ 20,00 por cabeça, formam-se grupos de 10  pessoas que entram na água por 10 minutos e ficam junto aos botos que vêm pegar peixe das mãos do tratador.


Última parada, a aldeia Dessana.
Eu já sabia que a tribo é “coisa para turista ver”. Eles nos apresentam  duas de suas danças rituais e nos oferecem peixe, beiju e maniwara (formigas). Sim, eu as provei.... 😃

Os Dessanas

Formigas maniwara

Apesar de saber da encenação turística da “aldeia”, conversei um pouco com um rapaz e me surpreendi ao notar que ele falava português com sotaque e o que descobri foi que eles eram de uma aldeia pertinho dali. Claro que com a proximidade da cidade, há muito passaram a ser uma “comunidade”. Falam português, assim como sua língua nativa, o tucano. Construíram a pequena aldeia "cenográfica" para o turismo e além daquelas apresentações para as excursões, oferecem alguns passeios e trilhas pela floresta (deixarei o link ao final do post).

Dessana


Os passeios pela cidade de Manaus não param por aí. Falta a Praia da Ponta Negra. Quem ficar hospedado no centro histórico, é necessário um transporte para chegar ao calçadão e uma área de laser com anfiteatro e praia de areia branquinha, barraquinhas e banho de rio.

Praia de Ponta Negra


O post sobre Manaus é grande e ficaria ainda maior se eu tivesse permanecido mais dias para conhecer outras três atrações para as quais não tive tempo de ir: o Museu do Seringal, o INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), um bosque com fauna e flora locais, como peixe boi e o MUSA (Museu da Amazônia/Reserva Florestal Adolpho Ducke), reserva com mais de 100km² de floresta amazônica com fauna local,  trilha e um mirante 42 metros de altura para observar a floresta.

Tucumã

Para quem quiser se aprofundar na floresta, existem vários hotéis de selva, além de cruzeiros pelo rio. 
Manaus é um mundo!



Dicas para quem vai:

Saindo/chegando do aeroporto: ônibus, táxi e uber.

Hotel: voltando a Manaus, ficarei com certeza hospedada novamente perto do Teatro Amazonas, porta de entrada do centro histórico da cidade. Hospedei-me no Go Inn Manaus e indico. Excelente localização e hotel bom.

Restaurantes: no Tambaqui de Banda eu comi um delicioso tambaqui na brasa e um nhoque de tambaqui no tucupi.


Costela de tambaqui na brasa

Ñoque de tambaqui no tucupi e jambu


No Caxiri optei por um hambúrguer de tambaqui no pão de açaí 😋. O Caxiri é bem mais caro e a dica é o almoço nas 2as feiras, com menu executivo e preço mais acessível.

Interior do Caxiri

Hamburguer de tambaqui com pão de açaí

Outro restaurante muito bem recomendado é o Banzeiro. Esse eu não fui. Ficou pra próxima vez.

Agência do tour : Crystal DayTour. Contato: Max (92.9532 2438)

Centro de Medicina Indígena da Amazônia: rua Bernardo Ramos, 97

Museu do Índio: Av Duque de Caxias, 296

Site dos passeios da tribo Dessana: http://www.herisaro.org/


Veja sobre a maratona de ManausMaratona Internacional de Manaus

Mais Fotos:





Reprodução dos camarins antigos do teatro









Maquete do teatro feita de Lego

O teatro à noite

Igreja São Sebastião vista do Teatro

Monumento de homenagem à abertura dos portos





Bebendo como os locais!!!!

Movimento do Rio Negro





Posto de gasolina no Rio Negro


Porto flutuante

Palácio da Justiça

Interior do Palácio da Justiça


Praça D. Pedro II

Rua Bernardo Ramos

Centro de Medicina Indígena (a casa da direita)

Rua Bernardo Ramos

Palácio Rio Branco

Paço Municipal

Catedral


Museu da imagem no Palacete Provincial


Interior do Palacete Provincial

Escadarias no interior do Palácio Rio Negro

Cortando tucumã

Prédio da Alfândega

Porto de Manaus

Cortando Castanhas do Brasil

Peças no interior da Galeria Amazônica

Café com bolo de milho e mingau de tapioca


Interior Museu do Índio





Mercado Municipal





Pirarucu no mercado Municipal



Tucupi e jambu

Mercado



O barco da minha excursão

Casas de ribeirinhos





Mostrando a pesca do pirarucu

Artesanato indígena

 



Restaurante onde almoçamos no Safari Amazônico



Tambaqui, Pirarucu de Casaca e Tucunaré




Vitórias Régias


O flutuante para o banho com os botos


A aldeia dos Dessana










Ponte do Rio Negro


Manaus

Encontro das águas visto do avião

Um comentário:

Anônimo disse...

Lia, que beleza este post ! Fomos à Manaus mas não vi a metade destes museus e palácios! Também ficamos na Ponta Negra e quatro dias no navio. Agora vamos nos hospedar no centro! Parabéns! Muita história !
Telma