quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Meia Maratona França-Brasil (01/12/2018)


De que maneira fazer uma prova de corrida de rua saindo do Brasil, passando pela França e retornando ao Brasil (ou o inverso)?
Seria isso possível? 🤔🤔🤔

Sim! Esse percurso pode ser feito entre o Estado do Amapá, no norte do Brasil, e a Guiana Francesa, território francês e parte da União Europeia.

Essa particularidade totalmente inusitada chamou minha atenção logo em 2017, na 1a edição da Meia Maratona França-Brasil da qual não pude   participar. Já em 2018, não deixei a oportunidade me fugir.

Corridas binacionais são por si só um atrativo extra, acho que para todo corredor. O fato de percorrer uma prova entre o Brasil e a França então, é fantástico!

A Guiana Francesa, separada do município amapaense do Oiapoque pelo rio do mesmo nome, é departamento ultramarino francês. Lá, fala-se o francês e usa-se o euro.

Pois bem. A primeira dificuldade dessa meia maratona é chegar até o Oiapoque.

Para quem sai da Guiana talvez seja mais fácil. Caiena, a capital, fica a menos de 200km de Saint Georges, cidade de fronteira e onde ocorre a corrida. Porém, para nós brasileiros, para entrar por Caiena é necessário passaporte e a burocracia de um visto tirado no consulado que custa 60 euros.

Para quem sai de outros estados brasileiros a via é por Macapá e o acesso para Oiapoque só é feito por terra. Quase literalmente, pois dos 600km que separam a pequena Oiapoque da capital do Amapá, 100km são de estrada de terra, a BR 156 que atravessa uma reserva indígena.

Vencido esse obstáculo, vamos à prova.

Em 2017 a largada foi sobre a Ponte Binacional de 380m que divide as duas cidades fronteiriças, com saída do lado brasileiro, entrando em território guianense e voltando para o Oiapoque.

Em 2018 o percurso foi o contrário.

A proposta da organização é manter esse revezamento de largada/chegada em alternância entre os dois países.
Fui com os amigos Leandro, Ricardo, William e um grande grupo de corredores da assessoria de corrida de Macapá, Maraturista.

Para a largada, saímos todos do hotel às 5:30 da manhã, ainda escuro e a van nos deixou do lado brasileiro da ponte para seguirmos caminhando até a largada, do lado francês.

Sobre a ponte, ainda do lado brasileiro

E já na Guiana
 
Ou na França... Dá no mesmo

O sol começou a nascer enquanto o locutor da prova animava os corredores  falando em francês.
Em torno de 700 brasileiros e guianenses/franceses correram divididos nas duas distâncias oferecidas: os 21km ou os 6km.


A largada, marcada para as 6:30 horas, teve um pequeno atraso de 15 minutos e nós partimos fazendo o caminho de volta, passando pela ponte, entrando no Oiapoque por aproximadamente 2km, retornando para a ponte e correndo todo o restante da prova em Saint Georges.

Atravessando a Ponte Binacional em direção ao Oiapoque, Brasil
 
Na volta, passando pela aduana para entrar novamente em solo francês

O tempo felizmente estava nublado. Não achei quente,  porém a umidade era muito grande por ser uma área de floresta. Terminei minha prova com os tênis completamente encharcados de suor.

Percurso difícil e belíssimo
Belíssima foto de Flávio Cavalcante (Corrida de Rua do Amapá)

Ter tido a sorte de correr no ano em que a maior parte da prova passou-se na Guiana foi maravilhoso pois tive a oportunidade de "conhecer" um pouco a cidade francesa além do permitido para os que não têm o visto (falarei disso no post sobre o Oiapoque/Guiana Francesa).

Em Saint Georges

Tivemos todo o percurso inteiro para nós, bem policiado, com água a cada 3km e gel de carboidrato no km 16. Percurso puxado, com muitas ladeiras.
Os staffs foram bastante interativos e foi interessante ouvi-los nos animando do lado brasileiro com "Vamos, vamos" , "Força!", enquanto que do lado francês ouvíamos "Allez!!" e "Courage". Minha resposta também mudou de acordo com o território pisado: de "Obrigada" a "Merci"..... 😂😄😃


Na chegada, muita animação no palco, com premiação dos campeões das duas distâncias, além da premiação por categoria.

Em mais uma prova internacional, tive o grande prazer de ser chamada ao podio para receber uma medalha especial pelo 3o lugar da minha categoria. 
Claro que fiz questão de dizer que tinha vindo do longínquo Ceará, o que foi devidamente anunciado pelo locutor brasileiro. Alegria e felicidade definem!!


Foi tudo perfeito!!!!!! 👏👏

A medalha de participação e a medalha de 3o lugar


Dicas para quem vai:

Como chegar: de Macapá para o Oiapoque só se chega por terra. Não sei quais ônibus ou horários.
São 600km de Macapá ao Oiapoque, com 100km de estrada de terra (BR 156). Se estiver chovendo, a estrada fica um pouco lamacenta. Felizmente novembro ainda não é a época de grandes chuvas.
A melhor opção com certeza é ir em grupo e, para quem mora fora, existe o contato da Assessoria Maraturista, do professor Marco Aurélio. Eles montaram grupos nas duas provas.
Segue site da assessoria: http://www.maraturista.net/


Site da prova: a prova não tem site. A inscrição foi feita por um desses sites de inscrição de corrida.

Entrega do kit: a organização fez a entrega do kit em três cidades: Macapá, Oiapoque e Saint Georges. Excelente facilidade para os corredores.

Hotel: fiquei hospedada no centro da cidade, Hotel Guará. Sinceramente, o hotel é muito fraco e a única vantagem foi estar junto com o pessoal da assessoria.
Visitei a Chácara do Rona, que fica às margens do Rio Oiapoque e que oferece chalés e redário. Não vi os quartos mas me pareceu uma opção melhor. O restaurante deles é bem agradável e a comida é boa.
Me falaram também do Hotel Chez Denise, que também é no centro.


Onde comer: existem várias opções de restaurantes, churrascarias no centro da cidade. Jantei uma noite no Comideria, ao lado da pracinha e gostei muito.
 
Como ir para Saint Georges, na Guiana Francesa
: ver no próximo blog

Mais fotos:


Jantar de massas do grupo

Chegada ainda escuro ao local da largada
 
Amanhecendo e os corredores chegando

Posto da fronteira


Breno. 21km raiz

Amapá!

Sobre a ponte e o Rio Oiapoque

Foto: Corrida de Rua Amapá




Entrando no Brasil para rodar 2km

Voltando pra França




Estrada






Dificuldade da subida

O campeão geral dos 21km

Seguido pelo 3o e 2o lugar

Foto: Flavio Cavalcante (Corrida de Rua Amapá)






Pelas ruas de Saint Georges

Foto: Flavio Cavalcante (Corrida de Rua Amapá)


Chegada


Carro da cerveja. Compra com euro ou real




Com os amigos Leandro e Ricardo

E com Linda, William e Lana



Premiação feminina - geral 21km
Premiação masculina - geral 21km
 
E a premiação da minha categoria

Sou é do Ceará!!!! 😂

Festa final. Foto: Maraturista




9 comentários:

JANDER disse...

Seu relato foi motivador, já participei dessa prova na primeira edição e realmente é muito linda, mas ler o seu relato com todos os detalhes em textos e imagens só me deixa com vontade e ir nas próxima. Parabéns pela conquista.
Jander.

Correndo o Mundo - Lia Campos disse...

É isso Jander. Prova muito bacana!
Valeu!
Lia

Anônimo disse...

Excelente postagem Lia Campos! Bem precisa nas informações.
Leandro

Anônimo disse...

Muito legal, Lia Campos!! Valeu muito a prova!!
Ricardo

Correndo o Mundo - Lia Campos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Valeu, Lia! Belo texto. Os maraturistas estão à disposição para as próximas aventuras.
Marco Aurélio

Anônimo disse...

Parabéns!!! Texto bastante informativo, deu vontade, apesar da distância. abraço
Rodolfo Lucena

Ivane Ramos disse...

Descrito verdadeiramente como foi, que bom que você gostou Lia Campos, a essência das corridas é a felicidade e as amizades que essas trazem consigo...parabéns por pódio, parabéns pelo texto!!

Correndo o Mundo - Lia Campos disse...

Isso mesmo Ivane!
Isso é a corrida de rua pra mim. O pódio foi um bônus extra, inesperado e maravilhoso mas o melhor foi toda a festa e o conhecimento que essa viagem me proporcionou.
Abraço!
Lia