domingo, 20 de janeiro de 2019

Do Oiapoque à..... Guiana Francesa! (dezembro/2018)




Aposto que muitos sequer sabem onde fica o Oiapoque, mas duvido quem nunca tenha escutado a expressão “Do Oiapoque ao Chuí”.
Para quem tem o bichinho da curiosidade das viagens nas veias (como eu!) essa expressão remete sempre ao conhecimento do Brasil inteiro. Ou de ponta à ponta. Sonhei muito com isso, mas confesso que nunca tinha me imaginado na ponta do Brasil, no Amapá. E..... Se de lá eu não fui pro Chuí (ainda....), fui pra Saint George, na Guiana Francesa.

Apesar de eu ter estudado que o limite ao norte do Brasil ficava no Oiapoque, no Cabo Orange,  na verdade desde 1930 o grande Marechal Rondon afirmou que esse extremo de fato localiza-se no Monte Caburaí, em Roraima, porém somente em 1998 esse ponto foi reconhecido pelo Ministério da Educação. Tudo bem, mudou, mas o Oiapoque pelo menos continua sendo o ponto norte extremo do litoral brasileiro e a expressão continua. Duvido muito que mude....

E é longe esse começo do Brasil!
600km saindo de Macapá, por uma estrada com parte sem asfalto que inclusive passa por uma reserva indígena. 

Parte da estrada de terra



Passando por uma das aldeias indígenas

Oiapoque em tupi-guarani significa “casa dos Waiãpi”, que era o povo primitivo que habitava aquela região. Hoje a cidade banhada pelo rio de mesmo nome é a 4ª maior do Amapá, com menos de 30 mil habitantes.
De pontos turísticos tem um marco que sinaliza onde “começa o Brasil”, um museu do Índio (que me pareceu interessante mas que quando fui estava fechado) e o grande Rio Oiapoque que, se não nos leva ao Chuí, nos leva mais longe ainda, pra Europa!

Na voadeira pelo Rio Oiapoque e a Ponte Binacional que, como o rio, divide o Brasil da Guiana Francesa
 
Isso mesmo! Do outro lado do rio, bastando 15 minutinhos nas voadeiras, estamos na cidade de Saint Georges, na Guiana Francesa, que é um território ultramarino francês e, como tal, faz parte da França, consequentemente da Comunidade Europeia.

Praça de Saint Georges em frente à Prefeitura
 
Embora para a França nós brasileiros não precisemos de visto, para a Guiana ele é obrigatório e, por causa disso, quem não o possuir, só pode passear na zona de entrada em Saint George, sob risco de ser preso (e eles prendem mesmo!).

Prefeitura

Comprando cerveja no mercadinho
 
O passeio é curto, a cidade é mínima (em torno de 4 mil habitantes) mas não deixa de ser interessante ali do lado do Brasil, usar o euro no barzinho à beira rio ou no mercadinho e trocar palavras em francês com o povo (embora eles também falem o crioulo).


Dicas para quem vai:

Acesso: por terra, só existe um único acesso: a BR 156. São 600km de Macapá e, um pouco antes de chegar ao Oiapoque, 100km ainda de terra, o que dificulta muuuito na época de chuvas. Essa parte da estrada de terra é uma reserva indígena e passamos por diversas aldeias.

Hotel: fiquei hospedada no centro da cidade, Hotel Guará. Sinceramente, o hotel é muito fraco e a única vantagem foi estar junto com o pessoal da corrida.
Visitei a Chácara do Rona, que fica às margens do Rio Oiapoque e que oferece chalés e redário. Não vi os quartos mas me pareceu uma opção melhor. O restaurante deles é bem agradável e a comida é boa.
Me falaram também do Hotel Chez Denise, que também é no centro.

Acesso para a Guiana: a opção mais fácil (e barata) são as voadeiras. Por R$ 20,00 (ida/volta), saindo do cais de Oiapoque, em 15 minutos você estará em Saint George para fazer um breve passeio. Não precisa de passaporte.
Pela ponte, de carro, aí você já teria que ir com passaporte, visto e ainda paga um seguro que é bem caro (para o caso de estar de carro).

Visto: para entrar na Guiana Francesa é preciso visto que se tira nos Consulados da França por 60 euros. Mas do Oiapoque você pode pegar as voadeiras e caminhar somente na orla de Saint Georges sem o visto.

Troca de moeda: no cais do Oiapoque você faz o câmbio real/euro (por sinal muito bom!) para o caso de querer tomar uma cerveja em Saint Georges (no barzinho, o chope custa 3 euros, mas no mercadinho, a lata de cerveja saiu a 1 euro).

Restaurantes: comi no Rodeios e na Comedaria (muito bom). Também almocei na Chácara do Rona, um hotel agradável que fica na beira do rio e o almoço (caldeirada de Filhote) estava muito bom.


Veja mais sobre o Amapá: Macapá, 2 dias no meio do mundo
                                              Meia Maratona França-Brasil


Mais fotos:

Na estrada, parando para o almoço



110km de estrada de terra, por dentre a reserva indígena

Aldeia indígena



E os lindos pés de açaí







Cais do Oiapoque


Marco do começo do Brasil




Ruas de Oiapoque




Museu do Índio (aberto de 2a a 6a feira)






Entrada da Chácara do Rona


Hóspedes da Chácara do Rona pegando transporte para voltar à Guiana



Caldeirada de Filhote (Chácara do Rona)

Parte do restaurante da Chácara do Rona

Chuva!





Rio Oiapoque

Voadeira para Guiana




Chegando em Saint Georges









Hora de voltar

Balneário Lós. Nossa parada para almoço na volta



Encantada com as árvores de açaí


Balneário Lós



7 comentários:

Lana di Nunes disse...

Amei Lía!! Obrigada por ter vindo a essas bandas do Brasil!!!! Abraço!!!

Correndo o Mundo - Lia Campos disse...

Lana, eu que adorei tudo e agradeço a acolhida de vocês!
Bjs
Lia

Anônimo disse...

Monte Caburaí e não Oiapoque? Mas Oiapoque é um nome tão legal. 😞😞. Valeu Lioca. Aprendo sempre com teus blogues
Marcelo

Mari Sereia Baleias disse...

Uau Lia! Seus posts são sempre uma aula de cultura, adoro! E esses lugares bem fora da curta que tu exploras é um espetáculo a parte. Muito massa mesmo. Parabéns, você é show!

Correndo o Mundo - Lia Campos disse...

Obrigada Marinês!Elogios vindo de você, são muitíssimos bem vindos!
Como eu, tem o "verminho" das viagens e curiosidade no sangue.
Bjs
Lia

Vania disse...

Oiii, tudo bem? Em primeiro lugar, parabéns pelo blog e pela bela postagem... tenho umas perguntinhas pra vc, pois morro de vontade de viver essa aventura até a Guiana Francesa tb rsrsrsr vamos lá: vc disse que corre o risco de ser preso indo clandestinamente, correto? Ou seja, vc correu esse risco?? Se eu pegar essa voadeira e atravessar, estou correndo risco? E o perigo dessa travessia, vi que já afundou embarcações de brasileiros fugindo pra lá... será que se referem a esse mesmo trecho??? Agradeço desde já! Gde abraço!!!

Correndo o Mundo disse...

Oi Vânia!

Que bom que gostou do post!

Bem... As voadeiras que saem do Oiapoque para Saint George, na Guiana, são lanchas simples mas eu as achei bem seguras. A navegação é tranquila e tanto na ida como na volta fomos poucas pessoas. Tem o colete salva vidas (que eu sempre coloco), mas sinceramente, não achei perigo nenhum.

Quanto à entrada, se você vai de voadeira sem o visto, você só pode ficar na entrada da cidade (na rua que fica beirando o rio). Eles recomendam que você não adentre na vila e soube de gente que realmente ficou presa por não ter o visto quando abordada pela polícia.
Se quiser conhecer bem a cidade ou dormir por lá, deve sim tirar o visto.
Se entrar em Saint George saindo do Oiapoque por terra, aí não entra é de jeito nenhum sem o visto, pois tem a polícia da fronteira. Tem que mostrar passaporte com visto.

Espero ter esclarecido suas dúvidas!

Abs,
Lia