quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Rota Verde do Café, um passeio pelo Maciço de Baturité, no Ceará (janeiro/2019)


"A vida começa depois do café!"

Além de praia e sertão, nosso Ceará também tem regiões de serra, com temperaturas amenas e o Maciço de Baturité, pertinho de Fortaleza (menos de 100 km) é para onde muitos vão em busca de um climazinho frio, de festivais culturais e da ainda pouco conhecida Rota Verde do Café.

Essa região, que no começo era habitada por indígenas, abriga a maior área de proteção ambiental do Ceará contemplando os municípios de Baturité, Mulungu, Guaramiranga, Pacoti, Aratuba, Palmácia,  Capistrano e Redenção  e lá pelo século XIX começou a atrair fazendeiros dos sertões de Quixadá, Canindé e Quixeramobim, que ali vislumbraram um local de “fuga” para quando a seca apertasse.
Muitos por lá se estabeleceram, principalmente durante a seca de 1845. Nessa época, o café já havia chegado na serra (desde 1824) e roças foram abertas e sítios foram erguidos. O café da região prosperou e chegou a representar 2% do café produzido no Brasil. .

Foi o café o responsável pela construção da primeira estrada de ferro do Ceará, ligando Baturité ao porto de Fortaleza, feita principalmente para escoar a produção dos grãos.

100% Arábico e conhecido como “café sombreado”, pelo fato de crescer à sombra de outras árvores, principalmente da Ingazeira, era famoso pelo sabor e aroma, ficando conhecido na Europa pela excelente qualidade.

O Ciclo do Café terminou no Brasil e na Serra de Baturité por volta de 1930 mas o SEBRAE, juntamente com alguns dos antigos sítios produtores  da região, criou a Rota Verde do Café em 2015.

Farei a sugestão de um roteiro que, apertado, pode ser feito em dois dias, passando por todo o circuito.

A visita pode ser iniciada na cidade de Baturité (175m altitude), com uma parada para conhecer a antiga estação ferroviária, inaugurada em 1882 e hoje transformada em museu com peças e mobiliário da época, além da antiga Maria Fumaça, e no Mosteiro dos Jesuítas, um prédio imponente, datado de 1927, com parte da estrutura rebocada e outra parte com tijolos aparentes, o que dá uma visão ainda mais impressionante para a construção. Do mosteiro, uma bela vista da serra.

Museu Estação Ferroviária
 
A antiga Maria Fumaça
Placa da inauguração da estação, de 1882
Mosteiro dos Jesuítas



Nessa primeira parada pode-se comprar o café feito na Fazenda Caridade, o Café do Mosteiro,  doces e rapadura.

Hora de retomar a estrada seguindo para Guaramiranga e, 13km depois de Baturité, virar à esquerda em direção à cidade de Mulungu (790m). Logo no começo da cidade, pequenas placas indicam o Sítio São Roque, que fica à direita da estrada principal, em uma estradinha de calçamento que se estende por 2km até o sítio criado em 1913 pelo casal Alfredo e Amélia e, posteriormente sendo assumido pelo seu filho caçula, Gerardo Farias. Seu Gerardo, até pouco tempo era quem fazia a visita guiada pela propriedade mas veio a falecer com mais de 90 anos, em 2018.

Sítio São Roque com a capelinha ao fundo
 
O Casarão

Fomos recebido pela Aninha que fez toda uma explicação sobre a criação do sítio, sobre o café, nos levou para conhecer o casarão e no final, para provarmos dos dois tipos de café produzido ali, o café Alfredo e o café Amélia, batizados assim em homenagem aos patriarcas e fundadores do sítio.


Explicações pela Aninha


Aprendendo a colher café



Depois do São Roque, hora de pegar a estrada de volta para se acomodar em Guaramiranga (865m), o menor município do Ceará e o mais procurado na serra para aproveitar a noite passeando pela cidade e suas inúmeras opções de bares, restaurantes, pizzarias, curtindo o clima que, nessa noite de verão era 18oC, mas que nos meses de julho/agosto, pode chegar a 12oC. 


No dia seguinte, dando continuidade à Rota, o Sítio Águas Finas (de 1939), a menos de 2km de Guaramiranga é de propriedade da família Uchôa e produtora do café de mesmo nome. Lá eles fazem uma trilha explicativa de 1,5km que demora por volta de 1 hora e meia. A trilha sai em horários determinados e no final tem a degustação do café  (embora tenha ido no sítio, devido ao tempo, foi o único passeio da Rota que não fiz).



Retornando para Guará em direção a Pernambuquinho vislumbra-se facilmente na beira da estrada a casa branca da Fazenda Floresta, de propriedade de  Seu João Caracas e Dona Eunice, por quem fomos muito bem recebidos.


Dona Eunice foi quem fez a explicação dos maquinários da propriedade, de como é feito o café, nos levou ao pequeno engenho onde fabricam rapadura, açúcar mascavo e onde Seu João fabrica a sua aguardente de banana, além de nos mostrar a casa onde moram e que data de 1873.



Ao final, parada na lojinha para provar a aguardente e os licores feitos por D. Eunice. A conversa estava tão boa que esqueci de perguntar pela prova do café É Jóia (fabricado por eles) ..... Fica pra próxima vez.

Saindo da Fazenda Floresta, pegar a estrada para Pacoti e fazer a visita ao último sítio da Rota, o belo Sítio São Luís, construído entre 1870/1880, com seu casarão branco e interior muito bem preservado com móveis da época, fogão à lenha.


Hora do café

Lá, o visitante tem a opção de fazer uma visita guiada (em dias e horas determinadas) ou simplesmente conhecer o casarão tomando um cafezinho (infelizmente um café industrializado...) com uma pequena degustação do pão e bolo caseiros. A novidade recente do sítio é a reconstrução do engenho.

E já que estamos em Pacoti, a menos de 5km, uma paradinha para apreciar a vista do Pico Alto, 2º ponto mais alto do Ceará (1114m). Lindo!


Vista do Pico Alto
 A Rota do Café é uma imersão nas histórias do ciclo do café naquela região. Cada sítio ou fazenda tem sua peculiaridade. Visitas guiadas, trilha no cafezal, lojinhas com produtos regionais e muitas conversas regadas à café. Valeu à pena cada parada!


Dicas para quem vai:

Hotel: em Guaramiranga existem diversas opções. Para quem vai curtir a noite, o melhor mesmo é ficar no centro. Hotel Montenegro, Pousada Manjericão, são algumas das boas opções e, na alta estação, é obrigatório fazer reserva com antecedência. Como eu não fiz, acabei ficando na Cedros Pousada, um casarão antigo, mas com quartos básicos, bom atendimento e café da manhã sortido. Vizinho, tem também a Pousada da Josy.



O Eco Hotel Vale das Nuvens, todo construído de material reciclável, fica a 3km do centro da cidade (2 dos quais de calçamento) e é excelente opção para quem procura sossego, uma bela vista e ainda conta com a atração extra do avião xavante que faz parte de um pequeno museu dedicado à EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), da qual fez parte o proprietário do hotel, Joaquim Caracas.




Restaurante: em Pacoti, almocei por duas vezes no restaurante Mineiro. Boa comida e porções muito bem servidas.




Em Guaramiranga, a Pizzaria Cogumelos. Massa fininha, pizza muito boa.




Sítio São Roque: visita guiada com degustação de bolo e doce de banana, biscoito e os 2 tipos de café do sítio: R$ 20,00.


Sítio São Luís: visita guiada com degustação ao final: R$ 35,00.  Somente a entrada no casarão com uma degustação menor: R$ 10,00, e com café completo: R$ 25,00.



Fazenda Floresta: Visita pela própria propriedade com as explicações: R$ 10,00

Sítio Águas Finas: trilha guiada com degustação: R$ 30,00


Rota Verde do Café: para mais detalhes e contato de todas as propriedades, segue o site do SEBRAE e do  Portal Destino Serra

Mais fotos: 





No caminho
Baturité


Igreja Matriz Nossa Senhora da Palma


Local do pelourinho de Baturité
 


Prefeitura








Sineta Imperial, doada por D Pedro II para a Estação Ferroviária de Baturité



Cidade de Baturité

Caminho pro Mosteiro dos Jesuítas
 







A Igreja e o Mosteiro

Interior da Igreja

Interior do Mosteiro
 




Vista do Mosteiro

Sítio São Roque (Mulungu)







Interior do casarão




A 1a casa



Café Alfredo e Café Amélia

A lojinha e sala para degustação


Guaramiranga




Prefeitura

Animação na rua principal








Sítio Floresta (Pernambuquinho/Guaramiranga)




Seu João embalando o café

A "nova" (1940) máquina elétrica para descascar o café

E a antiga, que era movida por cavalo
O grão do café com casca e já descacado

A estrela da Rota: o café


O alambique onde Seu João fabrica a cachaça de banana

Os tachos do pequeno engenho

A casa dos proprietários
Relógio antigo

Wilkie, eu, Dona Eunice e Seu João Caracas


Sítio São Luís (Pacoti)










Biblioteca do casarão












Degustação




Antigo engenho sendo reconstruído



Engenho (foto da Keyla)

Igreja de Pacoti

Caminho para Pico Alto




Chegada ao Pico Alto




Com Keyla, Paty e Márcio

E pra finalizar...... jaca, láááá do pé da serra.....

4 comentários:

Anônimo disse...

Primeiro passeio turistico da Lia, que tomou mais café que cevada...kkkk.. excelente e detalhado Post.. show.
Régis

Anônimo disse...

Adorei tanto deste teu post, que o publiquei na minha página. Fiquei com vontade de fazer este roteiro. Obrigada por postar.
Sandra

Anônimo disse...

Massa Lia Campos, sobre sempre inovando nas rotas e nos posts! Adorei, tô na cola dessas dicas.....
Marinês

mariza disse...

excelente depoimento. Obg!