domingo, 3 de abril de 2016

Expedição Cariri (Crato/Juazeiro/Santana do Cariri e Nova Olinda) - Batizado da Bianca no Cratim de Açúcar

A região do Cariri, no sul do Estado do Ceará, fronteira com Pernambuco, é formada por 7 municípios, dentre eles a maior cidade do Estado, Juazeiro do Norte, terra do mítico, controverso, amado e venerado Padre Cícero.




Rodeada pela Chapada do Araripe, reserva ecológica que abriga dentre outros atrativos naturais, diversos sítios arqueológicos, é lá que encontramos o primeiro GeoPark das Américas (local com patrimônio biológico, geológico e paleontológico).
Há mais de 100 milhões de anos (!) esse território que engloba Crato, Juazeiro do Norte, Santana do Cariri, Nova Olinda, Barbalha e Missão Velha, era um enorme lago salgado, habitado por imensos répteis voadores, os Pterossauros.

Foi pra essa terra dos pterossauros e do Padre Cícero, a terra dos romeiros, a terra da religiosidade, de tradições populares e muitas tradições culturais que partimos em família, no feriado da Semana Santa, para participar do batizado da Bianca, o mais novo membro da família.
Por que o Cariri?
Porque lá é onde fica o Crato que também é a terra de seu pai e avós e também porque acabou tendo uma corrida no caminho. Não minha. Mas do Duda, não por acaso o pai da Bianca que, além de ser anfitrião no batizado, “aproveitou” pra estrear nas ultramaratonas, participando do II Desafio Chapada do Araripe, de 50km.
Eu fiquei de fora dessa e encarei somente os passeios, que foram muitos.



Vizinho a Pernambuco, quem teve tempo de chegar primeiro no Cariri, ainda foi nesse nosso estado irmão e aproveitou pra conhecer Exu, terra de ninguém menos que o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.


Dois imortais em Exu-PE

Já a “segunda leva” ficou nos passeios da região cearense.

Na Sexta-Feira Santa iniciamos com a subida ao Horto do Padre Cícero, local onde se encontra a estátua do "Padim".




Enquanto a turma foi de ônibus, eu, Marcelo e Del optamos por percorrer o caminho pavimentado destinado aos romeiros.
Foram 50 minutos sob um sol escaldante de uma subida íngreme de pedras de paralelepípedos, em meio a uma grande quantidade de pessoas, tanto subindo quanto já descendo.
Para minha surpresa, a imensa maioria dessas pessoas era de jovens e, pelo menos a meu ver, o aspecto social de toda aquela caminhada e posterior visita à estátua, era bem maior que a própria religiosidade. Tanto, que os locais destinados à oração, eram os mais vazios e, enquanto romeiros se estendiam em redes descansando e fugindo do calor, a maioria ficava conversando ou aguardando sua vez em longas filas para visitação do museu e da estátua.
Até “caretas”, homens mascarados, com roupas esfarrapadas, invadiram o local religioso com seus chocalhos e brincadeiras, em mais uma expressão de tradição cultural local dessa época do ano.

Enquanto subíamos, muitos já estavam descendo e vários bebendo vinho. Tradição de Sexta-Feira Santa.

Nosso segundo dia iniciou-se com breve parada em uma loja de sandálias de couro, características da região, antecedendo a “cereja do bolo” neste ramo, que seria a loja do Espedito Seleiro, logo mais à frente, na cidade de Nova Olinda.

Espedito Seleiro, natural do lugar, iniciou a carreira, obviamente fazendo selas de couro.
Artista habilidoso e criativo, suas sandálias, bolsas, mochilas saíram da região do Cariri e ganharam o mundo. Espedito agora é famoso, mas continua em Nova Olinda, com seu ateliê artesanal, com peças únicas.


Peças de Espedito Seleiro

Quase ao lado da loja do artesão do couro, encontra-se outra atração também já conhecida nacionalmente, a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri.

Com teatro, rádio, parquinho, gibiteca e pequeno museu, a ONG funciona há 23 anos, participando e influenciando na vida de crianças e adolescentes da região, por meio de seus programas de Memória, Comunicação, Artes e Turismo.

A casa da Fundação

Logo após Nova Olinda, a próxima parada foi em Santana do Cariri em um pequeno mas impressionante Museu de Paleontologia onde as réplicas de dinossauros fizeram a alegria das crianças do grupo e o enorme acervo de fósseis da região, de plantas, insetos, peixes, tão perfeitos que mais pareciam pergaminhos, encantaram os adultos.



Parada quase que obrigatória de quem faz esse roteiro na hora do almoço, o Pontal de Santa Cruz é um mirante com restaurante que fica a 750m, localizado no topo da Chapada do Araripe, com uma visão linda do local.




E o batizado?
O batizado foi no domingo, na famosa fazenda Malhada do avô materno da Bianca que recebeu a todos com muito pequi e forró, encerrando a saga caririense com chave de ouro em meio ao cheiro de mato e aconchego de sertão.

Foi um feriado perfeito em família e aproveito para agradecer aos que nos receberam com tanto carinho, sempre dispostos a nos ajudar em tudo para que desfrutássemos da melhor maneira a viagem e descobríssemos os encantos do Cariri. Obrigada Marina, Duda, Bárbara, Claudiainha, Dourado, Juci, Maria Clara, Sandra. Vocês foram mil!

E um obrigada todo especial ao Yarley, que junto conosco curtiu os detalhes, se desdobrou em muitos, providenciou, arranjou, se multiplicou. Tudo para que víssemos o Crato que ele tanto adora e que sentíssemos que é verdade que é mesmo feito de açúcar. “Cratim de açúcar”!


Parte do grupo. À caráter

Quase todos


Dica para quem vai:

A região é grande e as atrações são muitas, então a principal dica é que esteja lá de carro para poder aproveitar bem o passeio.

Hotel: ficamos no Encosta da Serra, no Crato. Bom hotel. Afastado do centro, mas para quem está de carro isso não é problema.

Vídeo e fotos (minhas e da turma);









Minha bagagem e a da batizanda


Chapada do Araripe vista do hotel









Mais uma tradição da região





Malhada




Pequizada


















Começo da subida do Horto com a estátua de Padre Cícero no final

1a. estação da Via Sacra













Juazeiro do Norte visto do Horto



Fila pra subir na estátua


Os Caretas 














Descanso dos romeiros


Vai um algodão doce com abelha aí?



Orelhão do Padre Cícero





Família


Igreja da Sé, no Crato


Recebendo nossas "lembrancinhas" na topic





Atelier de Espedito Seleiro











Museu de Espedito Seleiro


Nós e o artista







Esperando a turma






Nosso guia Tiago explicando sobre a Fundação Casa Grande



















Fundação Casa Grande















Fósseis


























Capela da Malhada. Hora do batizado















Cansaço de tanta farra




Hora do forró


Lembrancinha da nossa Expedição

7 comentários:

Anônimo disse...

Tá massa, Lia!! Bela recordação!
Marília

Anônimo disse...

Relato show!
Parabéns!!!
Telma

Anônimo disse...

Lia, muito show o relato. Super completo e com o afeto que o cariri merece. Foi maravilhoso.. Vc como sempre arrasando. 🏻🏻🏻🏻
Marina

Anônimo disse...

Lia, muito show o relato. Super completo e com o afeto que o cariri merece. Foi maravilhoso.. Vc como sempre arrasando.
Marina

Anônimo disse...

Parabéns , Lia !!! E parabéns a toda a família por saber curtir momentos preciosos de convivência familiar . Acredito mesmo que foi uma delícia este passeio !

Um grande abraço para todos .
silvio

Limiar Consultoria Esportiva disse...

Impressionante as palavras, relato é vivência. Excelente ter a família Cavalcante no Cratim de Açúcar! Grande abraço do pai da batizada! Duda

Wilkie Martins disse...

Belíssimas fotos, Lia.
Me tocaram especialmente o pedinte com o chapéu vestido de S. Fco, o sanfoneiro solitário e os caretas. Essas fotos revelam bem a sensibilidade da fotógrafa.