quinta-feira, 23 de março de 2017

Jericoacoara - Ceará




Em 1985 as belezas da praia de Jericoacoara eram muito pouco conhecidas, apesar de em 1984 a região já ter sido declarada área de proteção ambiental.
O acesso para aquela vila de pescadores sem qualquer tipo de estrutura para turistas, sem restaurantes e sem nem mesmo energia elétrica era pior ainda do que hoje em dia, mas foi para lá que meus pais carregaram um “monte de menino” (eu, meus irmãos e alguns amigos nossos) em uma viagem pelo litoral do Ceará.



Carro 4X4 para enfrentar a areia fofa das dunas? Nem pensar! Uma Caravan ano 1979. O nosso “trovão azul”, que atolava a toda hora e nos obrigava a descer toda nossa bagagem para que ele ficasse mais leve e então o empurrássemos para desatolar. 
 

Nosso "Trovão Azul" sendo carregado por uma balsa em algum rio pelo Ceará. Minha mãe de chapéu e o resto, irmão e amigos. E eu, camiseta azul.

 
Pousada? Nem pensar! Nossa velha barraca de camping nos serviu de abrigo sob o céu estrelado de Jeri, iluminado apenas pela nossa lamparina.
Restaurante? Tampouco! Não existia e, como o propósito era o acampamento, nós mesmos fazíamos nossa comida no nosso fogareiro. Já o banho de água doce, contamos com a boa vontade de uma casa de pescador para quebrar o galho. Foi banho de cuia. Água puxada de um poço.
Essa era a Jericoacora de 1985.
Logo depois, Jeri começou a ganhar fama. Aos poucos, como geralmente acontece nesses locais desertos e longe da "civilização", a turma “alternativa” foi chegando, hospedando-se em casas de pescadores e a vila foi crescendo aos poucos.
Em 1998 a energia chegou à praia.
De lá pra cá tudo se transformou.
Felizmente o acesso continua difícil.
A 300km de Fortaleza, uma hora o asfalto termina e os mesmos 50 minutos de balançado em 4X4 ou jardineiras sobre as dunas é inevitável, mas os nativos, com a carestia dos terrenos e casas, foram migrando para as cidades vizinhas e cedendo o espaço para pessoas de fora. Muitos estrangeiros.
As ruas, todas de areia, são repletas de restaurantes, bares e lojas.


De manhã, os inúmeros turistas se espalham entre ficar na praia ou seguir pelos vários passeios, seja na Lagoa do Paraíso, em Jijoca, seja na vizinha Praia de Tatajuba, na Praia do Preá, seja no símbolo máximo de Jericoacoara, a Pedra Furada.
Aliás, é da Pedra Furada e seu “serrote” (morro mais alto do local) de onde vem o nome de Jeri. Do mar, a Pedra Furada teria a aparência de um “jacaré tomando sol”, “jericoacora” em língua indígena.
Ao entardecer o lugar de concentração de praticamente todos que estão em Jeri é um só, a “Duna do Por do Sol”.
Tal qual formiguinhas, levas e levas de grupos vão se aproximando para escolher um local sobre a duna e garantir uma boa visão do espetáculo do por do sol.

Formigueiro humano em direção à duna do por do sol

Já à noite, dessa eu não posso falar muito.....😀 Só que as ruas ficam repletas com todos os que durante o dia estavam espalhados.
O forró sempre foi tradição. Tanto que uma das principais ruas chama-se “Rua do Forró”. Se ele existe? Existe sim, mas junto a outros ritmos e opções musicais, com bares que tocam MPB, rock ou samba. Afinal, estamos em Jericoacoara, uma das 10 praias mais bonitas do mundo (segundo o Washington Post), eleita em 2016 como o destino número 1 da América do Sul e terceiro lugar na classificação mundial no prêmio “Choice Awards Travelers” (segundo o Tripadvisor).
Viva Jeri!

Vídeo feito de cima do serrote:

video


Dicas para quem vai:

Acesso: Distante 300km de Fortaleza, a melhor estrada é a CE 085, com pista dupla até o Trairi. Chegando pertinho de Jeri, existem três acesso:
O mais utilizado é por Jijoca, onde obrigatoriamente deixa-se o carro em algum estacionamento pago da cidade e pega-se transporte em 4X4 ou jardineiras, num percurso de 50 minutos. O preço do transporte varia de acordo com a época do ano e pode ir de 15/30 reais por pessoa por viagem . Já os estacionamentos cobram R$ 10,00 a diária.
Recomendo o Vânio como transporte: (88) 99988-8106/ (88) 99652-6935

A segunda opção é ir pela beira da praia, entrando um pouco antes de Jijoca, no Preá. O acesso é fácil, sem problema e mesmo carros sem tração conseguem ir. Mas cuidado com a maré! Tem que ver direitinho o horário da maré para evitar problemas.

Existe ainda uma terceira opção que seria ir por Camocim, atravessando o rio Acaraú com o carro em uma balsa e continuando até a duna do por do sol. Já fiz esse percurso em carro sem tração, mas dirigido por um guia contratado em Camocim (existe também a possibilidade de ir em buggy contatado em Camocim). Além da balsa em Camocim, pega-se outra em Guriú e o carro passa pelo Mangue Seco, por duna e praia. Essa via é utilizada somente para quem está hospedado em Camocim.
Como guia de Camocim, recomendo o Márcio (conhecido como Gordo). Fica sempre no local de saída da balsa.
A ida por esse trajeto está em fotos no final deste post.

Indo por Preá ou por Camocim no próprio carro, chegando em Jericoacoara, é obrigatório deixar o carro parado no estacionamento local, que é da Prefeitura. Valor da diária do estacionamento em Jeri: R$ 20,00

Pedra Furada: são 2/3 km até lá e dá demais ir caminhando. Quem não quiser caminhar, pode alugar uma carroça (não é permitido o acesso de carros no local) que para em cima do serrote e a pessoa tem que descer até a pedra. Preço da carroça também é variável: 15/40 reais (ida/volta) dependendo da estação e da pechincha.

Hospedagem: inúmeras possibilidades. Do luxo ao albergue.
Fiquei na Pousada Bangalô e recomendo. Um pouco mais afastado do agito, tranquila e agradável.

Restaurantes:

Almocei no tradicional Dona Amélia, na rua do forró. MPB ao vivo e boa comida em pratos bem servidos. À noite tem forró pé de serra.

Bar de praia: Bar do Alexandre. Fui em duas ocasiões e gostei muito.


Fotos:


Ruas de Jeri













Matando a sede no Bar do Alexandre, em frente à praia






Espelhinhos laranja. A cara do Brasil
















Capoeira à beira mar







Pousada Bangalô

Carroça para ir à Pedra Furada







De cima do serrote








Vista da Pedra Furada de cima do serrote




Meus três cabritinhos subindo o serrote


Carroças estacionadas no final da trilha. Daí pra frente, tem que descer o serrote para ter acesso à Pedra Furada







Almoço no Dona Amélia








Ida à Jeri por Camocim:

Balsa saindo de Camocim

Chegando à lagoa da Tatajuba

Lagoa da Tatajuba









Cardápio na lagoa da Tatajuba

Massagem nos pés pelos peixes



Balsa de volta pelo Guriú






3 comentários:

Wilkie Martins disse...

Parabéns pelo belíssimo texto, Jericoacara é realmente exuberante!
Só complementando: "desde 1984, Jericoacoara foi declarada uma APA - Área de Proteção Ambiental - e tornou-se um verdadeiro Parque Nacional - PARNA - em fevereiro de 2002, para proteger, preservar e manter a beleza natural da região de Jijoca." (Fonte: Google).
Por isso, tanto controle com relação à circulação de veículos motorizados, como por exemplo, no máximo "carroças com cavalos" na trilha que leva até a Pedra Furada.

Leila de Lima Teixeira disse...

Adorei o relato. Que viagem maravilhosa você fez com seus pais e irmãos. Me senti como se estivesse estado lá com vocês. O Ceará é muito lindo!

JOSÉ AMÂNCIO NETO - CORREDOR DA 3ª IDADE disse...

Show amiga Lia! Que maravilha! Depois de ler, fiquei imensamente com vontade de conhecer essa excepcional praia. Morei em Sobral até o ano de 1974, mas naquela época ainda não se falava em Jericoacoara. De lá fica bem mais perto e eu teria ido conhecer. Parabéns pelo belo texto, fotos e tudo o mais. abr