domingo, 2 de outubro de 2011

Viagens II

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos" 
Mais tarde, eu e meus irmãos já adolescentes, saíamos com nossos pais pelo Brasil afora, sempre a bordo do “Trovão Azul”, a inesquecível caravan azul que acompanhou a família em tantas aventuras. Como se não bastassem os 4 filhos, alguns “agregados” (amigos, que nessa época já tinham carro) juntavam-se a nós nessas aventuras.

                                Eu e Marcelo num acampamento em Caldas Novas - GO


Alguns episódios merecem ser lembrados, como a viagem pra Jericoacoara (na época que Jeri era  desconhecida do mundo, comecinho da década de 80), que papai inventou de ir naquele areal de areia fina de praia e a caravan atolou 14 vezes! Isso mesmo! Por 14 vezes descemos todos do carro, tiramos as coisas mais pesadas do bagageiro e empurrávamos o Trovão azul pra sair do atoleiro. Só nós 6 e muita areia ao redor. E muita risadaria, pois nessas ocasiões é só o que resta pra ser feito...

                               Travessia do "trovão Azul" em algum rio no litoral do Ceará


Dessas viagens, tem um episódio cômico que ficou emblemático:
estávamos viajando pelo litoral do Ceará, com destino ao Rio Grande do Norte, parando nas praias que não conhecíamos, dormindo em barracas. Dois carros, minha família e mais 4 amigos.
Ao chegarmos na praia de Tremembé, já de noite, cansados, começamos a armar as barracas. Como a cidade não tinha costume de ver visitantes, logo os “nativos” chegaram  até nós. Ao nos ver
naquela luta, talvez com pena, uma senhora aproximou-se e falou “Olha, vocês não querem dormir na casa do padre? O padre não está aí e eu tenho as chaves da casa. Se quiserem, vocês podem dormir lá”.
Cheios de felicidade, fomos pra casa do padre, tomamos banho e meu pai disse “Agora, vamos procurar um forró”. Achamos uma casa, onde na varanda havia umas 4 pessoas e um som alto tocando forró. E lá fomos nós. Meu pai pediu cerveja, nós fomos de refrigerante. E haja forró e haja todos a dançarem. Lá pelas tantas, meu pai chamou a senhora que estava nos servindo e disse “'Cumade', traga a conta aí, por favor”. Foi quando a senhora falou “Doutor, aqui né bar não. É minha casa e é o aniversário de 15 anos da minha filha”. Meu pai não soube o que fazer de tanta vergonha. Lembro bem da expressão dele naquele momento, com a mão na cabeça, pedindo desculpas. Foi quando a senhora disse “Não! A festa estava desanimada, sem graça e vocês trouxeram a animação!”. Então minha mãe mandou um de nós correr na casa do padre, trazer um bolo que por sorte havíamos comprado e todos terminamos a noite cantando parabéns pra aniversariante, que muitos anos depois casou e mandou notícias para meus pais.

                                Tremembé, com a casa do padre à esquerda

Bem, com um DNA desses, fiz também minhas viagens sozinha.
Com 16 anos quis fazer intercâmbio nos EUA. Fui parar na cidade de Yukon, no estado de Oklahoma. Entre pessoas desconhecidas, foram 6 meses de muita, muita saudade da família e amigos, ("Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto") saudade essa saciada com montes de cartas e encontrando por vezes um carioca ,companheiro do intercâmbio, que sempre morria de "mangar" quando eu, saudosa, ouvia minhas fitas do Fagner cantando "Flor da Paisagem" de Fautos Nilo ("teus zói é a flor da paisagem...".)

Recém formada, descobri um intercâmbio do Lions Club na França. Procurei saber dos detalhes, inscrevi-me e fui aceita pra passar 1 mês entre universitários de vários países, conhecendo a região da cidade francesa de Grenoble e aprendendo, através de “aulas” diárias os costumes dos países das pessoas que faziam intercâmbio comigo: Romênia, França, Polônia, Índia, Canadá, EUA, Grécia, Bulgária e outros, sendo eu a única da América do Sul. Experiência maravilhosa, inesquecível, onde, no final, ainda tive a oportunidade de ficar hospedada por 15 dias na casa de um dos casais do Lions. E, já que estava do outro lado do Equador, pra não perder a viagem, dei uma esticadinha de algumas semanas na cidade de Albany-EUA, onde morava um casal de amigos.

                                Meu grupo do intercâmbio em Grenoble

                                 Parte do grupo em alguma cidade francesa na região dos Alpes

Essas foram as viagens mais importantes, por terem influenciado no meu modo de pensar, agir e de ser. Ainda vieram muitas outras.
Depois da entrada da corrida de rua na minha vida, passei a viajar pra correr e, quando não fosse esse o objetivo da viajam, ou seja, o objetivo fosse a viagem pela viagem mesmo, passei a, destino e data estabelecidos, passar horas fuçando a internet, até encontrar uma corrida que pudesse entrar no meu roteiro. E foi assim que fiz minha 1a. prova internacional, 5 milhas no Central Park em 2006, quando fui visitar meu irmão que mora em Boston-EUA e que, por sinal, hoje encontra-se nos seus 10 meses "sabáticos", dando uma "pequena" volta em parte do mundo.

                                A espera da largada no Central Park


Chegada

Esse é o início desse blog. Daqui pra frente, postarei post de corridas minhas que saíram em outros blogs, principalmente no Blog Tempo de Correr, do meu amigo Hamilton Nogueira do Jornal O Povo.
Colocarei esses blogs em ordem cronológica, por vezes inserindo mais fotos ou fazendo mais comentários, até chegar aos dias de hoje.



   Meus pais, Ormando e Telma, eu e meus irmãos, Ormando Jr, Márcia e Marcelo. Comemoração dos 7.0 da minha mãe. Porto, Portugal - 2010






   De pai pra filho.... Acampamento em Guaramiranga em 2006. Minha sobrinha Marília e minhas 3 grandes paixões: Bruno, Lara e Ana.






4 comentários:

Rosana Lima disse...

Lia, estou "viajando" com suas histórias.
Acabei lembrando de minhas muitas viagens com meus pais qdo criança, já tinha esquecido. Bacana demais!!
Bjs

Lia Campos disse...

Que bom que gostou, Rosana! Fico muito feliz por isso.
bj

Anônimo disse...

Lioca estou honrado pela menção, hehehe.

Muito legal as fotos, nunca tinha visto essa de poço de Caldas.

E a marcia tava com algum problema na perna dela na foto do trovão azul na balsa? Parece que ela tem uma faixa na perna dela.

Marcelo

Lia Campos disse...

Marcelo,
o acampamento em Poços de Caldas foi naquela viagem que você colocou fogo na vegetação da casa da tia Teté em Goiânia e todos tiveram que sair desesperados com baldes pro fogo não tomar a mata toda, inclusive nosso avô Claudiomar... kkkk Agora é engraçado, mas na hora foi desesperador.
Qto à perna da Márcia, não lembro...
bj