segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quito, uma pérola na metade do mundo (julho/2017)

Parque Itchimbia



Embora a capital do Equador tenha um centro histórico riquíssimo, o mais bem preservado e menos alterado da América Latina, o que a levou a ser a primeira cidade do mundo (juntamente com Cracóvia, na Polônia) declarada Patrimônio Cultural  da Humanidade pela UNESCO, nós brasileiros ainda não a descobrimos.

Mas não é somente o centro histórico de Quito que encanta.
São diversas atrações, como parques, mirantes, feiras de artesanato, a vida noturna, além de passeios bate/volta para atrações próximas, em uma cidade cercada de vulcões, situada na região andina, a 2850 metros de altitude, o que ainda lhe tráz o benefício de clima agradável durante todo o ano, por volta de 14oC (21oC no verão).
Fundada em 1534, é no centro que estão os maiores tesouros da época colonial, a começar com as diversas igrejas. Tantas, que existe uma rua chamada “rua das 7 Cruzes”, exatamente pelo fato de ter 7 igrejas.
Dentre as que visitamos, destaque para a Igreja de São Francisco, a mais antiga da cidade, com belíssimo altar dourado. Infelizmente a praça da igreja e seus arredores estavam interditados devido às obras do metrô.

Altar da Igreja de São Francisco

A Basílica do Voto Nacional, a mais “nova” das igrejas, em estilo neogótico e comparada à Notre Dame de Paris fica em uma colina. Naquela altitude, o esforço para chegar a ela é considerável mas pra quem ainda tiver coragem, aconselha-se subir na torre para ver a vista da cidade. Essa parte eu dispensei.... 😁

Torres da Basílica do Voto Nacional

A Igreja da Companhia de Jesus foi a que me causou maior impacto.
Ao entrar na igreja, a surpresa com seu interior dourado misturou-se com um som belíssimo que vinha do altar. Era a Orquestra Sinfônica de Quito ensaiando para a apresentação logo mais à noite em comemoração ao aniversário da Revolução Francesa. Foi magnífico presenciar aquele ensaio. À noite, voltamos para a apresentação. Enfrentamos uma fila de meia hora (entrada gratuita) e assistimos ao espetáculo que foi muito belo,  mas o ensaio causou maior impacto.


Além das igrejas, existem muitos museus. Esses eu não fui. Preferi usar o tempo livre caminhando pelas ruas, observando o movimento. Em torno da Igreja de São Francisco as ruas são de comércio popular, com frutas, comidas. Excelente para caminhar, observar e provar.
A praça principal, a Plaza de la Independencia, é o coração da cidade, com a catedral, o palácio presidencial e os prédios com as arcadas típicas das “plazas de armas” dos países de colonização espanhola.  Foi o local que escolhemos em uma tarde para tomar cerveja em um dos barzinhos e observar o movimento da praça, com os aposentados, artistas de rua, crianças, o vai e vem de turistas.

Plaza de la Independencia

              Praça da Independência
              Artista de rua


O Palácio de Carondelet é sede do governo e vale muito à pena participar da visita guiada em seu interior (duração de 1 hora), aprendendo um pouco mais sobre a história do Equador.


Fora da região central, o passeio à Virgem de Panecillo, a 3000 metros de altitude e a vista da cidade abaixo é imperdível.

Virgem do Panecillo. Estátua de 45m

Vista de Quito a partir do Panecillo

Outra vista imperdível é a que temos do teleférico, essa mais alta ainda, atingindo 4000metros de altitude de cima do cerro Cruz Loma. O passeio dura cerca de 18 minutos, por 2,5 km de teleférico. Nem tente se tem medo de altura, embora chegar ao topo compense qualquer medo.  A vista é lindíssima, assim como o próprio local. Se o tempo estiver bom, dá pra visualizar o topo de alguns dos vulcões que ficam ao redor de Quito. Devido à altitude, o local é frio e quem tiver disposição, ainda tem uma trilha pra ser feita por lá, caminhando. Se precisar de uma forcinha, tem oxigênio pra comprar.... hahahah



Dos parques, fomos ao Itchimbia, utilizado pelos próprios equatorianos nos finais de semana. É um local com muito verde e, mais uma bela vista da cidade, além de um palácio de cristal utilizado para recepções e exposições.


Vídeo: Parque Itchimbia 
Estando no Equador, quem não quer ir na famosa linha que dá nome ao país? Situada a 35km de Quito, o Parque Metade do Mundo, vale a visita, não somente pelo simbolismo da linha em si, mas é um parque bonito, com outras atrações além da linha, várias lojinhas de artesanato, lanchonetes e restaurante (inclusive comemos muito bem por lá...).




Entre o Norte e o Sul

           Cidade Metade do Mundo I
           Cidade Metade do Mundo II

Como toda cidade grande, Quito também tem uma vida noturna bem movimentada. No próprio centro, é famosa a “Calle La Ronda”. Uma rua antiga que foi revitalizada, com suas casinhas multicoloridas ganhando bares, restaurante e lojinhas de artesanato. Primeiramente estivemos na rua durante a manhã e a achamos calma, meio sem ninguém. Ao voltarmos à noite, o movimento nos surpreendeu. Lotaaaada, pulsante, barulhenta. Pessoas enchiam a ruazinha estreira e seus bares, cada qual com um karaoque (eles amam!) mais barulhento que o outro.

La Ronda vazia pela manhã

Fora do centro, o local recomendado para o agito noturno é o bairro La Mariscal. Mais moderno, tem muitos barzinhos e restaurantes, principalmente ao redor da Praça Foch. Não fomos à noite. Passeamos pelo bairro numa manhã de 2a feira, logo depois de gastar algumas horas na feira de artesanato que mais gostei, o Mercado Artesanal La Mariscal, onde se encontra tudo (e por um bom preço) do que vi no restante do país.


E por falar em feira, que tal aproveitar um dia livre para conhecer a maior feira indígena do mundo?
É a 90km ao norte de Quito, na pequena cidade de Otavalo, para onde  vão os índios quichuas, com toda espécie de produtos, como mantas, bolsas, tapetes, cerâmicas, alimentos.
Pelo preço dos produtos, não achei que o passeio valesse à pena, mas observar o movimento da feira como um todo, em especial os índios que dela fazem parte, com seu modo peculiar de se vestir (todos com longas tranças, mulheres com saias e um pano na cabeça e homens com calças e camisa branca, um xale sobre o corpo e chapéu preto), é interessante.

Indígenas de Otavalo

Depois de 2 horas rodando pela feira, prosseguimos o passeio (de excursão) com parada  na Lagoa Cuicocha, dentro da reserva ecológica Cotacachi Caypas. Lindo local com uma breve trilha que se faz caminhando.

Lagoa Cuicocha

Depois de Otavalo, parada para almoço na cidade de Cotacachi, famosa por seus artigos de couro. Muitas opções de cintos, sapatos e bolsas e, para  terminar o dia, pit stop rápido na cidade de Cayambe para tomar café acompanhado de seus famosos “bizcochos”.

Famosos "bizcochos"

Ufa! Falar de Quito e suas atrações demanda tempo! E quem o tem pouco, precisa fazer escolhas.

Com tanta variedade, reservamos 6 dias para a cidade e outros passeios perto, que ficaram assim distribuídos:
1- volta pelo centro histórico, ida à Virgem del Panecillo e noite no bairro boêmio La Ronda
2- ida ao teleférico pela manhã  e de lá à Metade do Mundo. Final da tarde no Parque Itimbia
3- dia no centro histórico com visita ao Palácio Presidencial, igrejas e praças
4-  excursão Otavalo e Cotacachi
5 – manhã no bairro La Mariscal
Os dois dias reservados ao Vulcão Cotopaxi e à Lagoa Quilotoa (passeios que podem ser feitos num bate/volta) foram à parte, e serão descritos no próximo post.


Veja mais sobre o Equador: Equador, aquele pequeno país da América do Sul cuja capital ninguém esquece!
                                            Guayaquil, a maior cidade do Equador
                                            Salinas Run 21k (02/07/2017)
                                            Cuenca é muito mais que o Chapéu Panamá
                                           A incrível subida ao Cotopaxi e a inesquecível beleza da Lagoa Quilotoa  



Dicas para quem vai:

Como chegar: o aeroporto de Quito fica a 40km do centro histórico. Existem ônibus de linha e os executivos (U$ 8). Preferimos pegar o táxi contratado no pr´prio aeroporto (U$ 26).

Onde ficar: ficamos no centro histórico, em um hotel ao lado da rua La Ronda e em frente à Praça de Santo Domingo. Excelente localização e excelente hotel, com quartos amplos e atendimento de primeira. Há os que prefiram ficar hospedados no bairro La Mariscal, um pouco mais longe do centro histórico. Eu ficaria novamente no centro histórico sem nenhuma dúvida!




Centro de Informações Turísticas: localizado na Praça da Independência, embaixo das arcadas. Lá eles dão mapas com sugestão de roteiros a serem feitos à pé.

Palácio Presidencial de Carondelet: para visitar, é preciso marcar com antecedência de algumas horas. Ao lado do palácio tem uma guarita com um policial onde você entrega seu passaporte e eles lhe encaixam na visita

Virgem de Panecillo: do centro histórico, o valor do táxi é de U$ 4.

Teleférico: fomos cedo (abre às 9h) e pagamos U$ 5 pelo taxi até o local da plataforma, que já fica a mais de 3100 mil metros. O valor do ticket para subir é de U$ 8,50. Vá bem agasalhado. A 4000 metros de altitude, o vento é frio!
Para voltar, você tem a opção de pegar um taxi (os taxistas já ficam esperando os clientes) ou caminhar até a entrada do parque de diversões que fica ao lado. Bem em frente ao parque, tem uma parada do ônibus do próprio parque que lhe deixa, gratuitamente, até embaixo, de onde você pode pegar ônibus de volta ao centro ou mesmo outro taxi mais barato.

Cidade Metade do Mundo: situa-se na província de Pichincha, a 30km de Quito. Existem ônibus de linha, mas como os taxistas insistiram e foram baixando o preço (de U$ 20, chegaram a 12/15), fomos e voltamos de taxi.
No local, existem 2 tipos de entrada, uma que dá direito a entrar num museu e andar de trenzinho (U$ 7,5) e a simples (U$ 3,5), com acesso somente ao monumento e às lojas de artesanato e restaurantes.
Recomendo o restaurante Inty Raymi, onde almoçamos um prato típico variado que estava uma delícia (U$9 prato para dois).

Otavalo: a feira acontece outros dias da semana, mas é o sábado o dia mais movimentado.
Fomos de excursão com a agência Expediciones Centro del Mundo . Com um bom preço, gostei da agência (tanto que depois fiz o passeio para o Cotopaxi com ela). Porém, houve uma coisa chata. Não havíamos entendido que o almoço estava incluído no preço. Perguntamos ao guia o valor (U$ 5 por pessoa) e lhe repassamos nossa parte. Ele calado tava, calado ficou. Só depois fui descobrir que fazia parte do pacote.
A excursão (que inclui Otavalo e a Reserva de Cotacachi) saiu de Quito às 7:30h e retornou às 18 horas. Valor: U$ 45 por pessoa.
Na feira, se for comprar, a ordem é negociar os preços. Bolsas “caíram”  de U$ 15 para U$ 8).
Já em Cotacachi, comprei cinto por U$ 10 e uma bolsa toda em couro por U$ 33.

La Mariscal: todo o artesanato que vi nas outras cidades, incluindo o chapéu panamá, encontrei no Mercado Artesanal La Mariscal. Também é preciso pechinchar (camiseta de malha de Quito: U$ 6; chapéu Panamá U$ 14; camisas de alpaca U$ 15).
Estando no bairro, aproveite para almoçar ou jantar no restaurante típico Achiote. Excelente opção gastronômica.







Mais fotos:

A Virgem do Panecillo vista do restaurante do hotel

Plaza de Santo Domingo (vista da janela do hotel)

Igreja de Santo Domingo

Plaza de Santo Domingo à noite

E pela manhã....

Corredores treinando no domingo


La Virgem

Igreja de Santo Domingo




Fachada da Igreja de São Francisco

Igreja de São Francsico



Amendoins e milhos torrados


Rua do centro histórico com a Virgem ao fundo

Rua La Ronda







La Ronda

Coco

Cantores na Praça da Independência

Praça da Independência


Manifestação de taxistas em frente ao Palácio Presidencial

Teleférico

Algo comum no Equador: papel higiênico do lado de fora dos banheiros

Subindo no teleférico

A 4mil metros, oxigênio à venda



Lojinhas no topo do teleférico



No topo

Ainda no topo. Daí parte a trilha




Voltando...

Parada de ônibus em frente ao parque de diversões


Linha do Equador - Cidade Metade do Mundo



Cidade Metade do Mundo

Parque Itchimbia

Palácio de Cristal no Parque Itchimbia





Turminha em visita ao Palácio Presidencial


Centro histórico




Fachada da Igreja dos Dominicanos. Toda feita com pedras vulcânicas

Ensaio da Orquestra Sinfônica de Quito no interior da igreja



Fachada do Palácio Presidencial

Praça da Independência vista da sacada do palácio



Interior do palácio


Praça da Independência

Catedral vista do palácio


Protesto solitário visto da sacada do palácio


Interior do palácio


Mural no palácio






 
Barzinhos ao lado da Praça da Independência





Basílica do Voto Nacional

Pelas ruas...

"Alfinim" com recheio de amendoim

Milhos torrados


Igreja dos Dominicanos enfeitada com as cores da bandeira francesa


Interior da igreja à espera da orquestra

Noite começando na rua La Ronda

No caminho para Otavalo



Indígenas na feira de Otavalo

Milho

'Hornado"



Feira de Otavalo e seus indígenas







Na trilha

Lagoa Cuicocha







Entrada do almoço em Cotacachi: sopa com pipoca





Cotacahi e as ruas com lojas com artigos de couro

De volta a La Ronda

Teatro Sucre em Quito


Mercado artesanal de La Mariscal, em Quito



Ruas de La Mariscal

Praça Foch, em La Mariscal

Uma das salas no aeroporto de Quito

2 comentários:

Wilkie Martins disse...

Maravilha de texto, fotos e vídeos! Me deu vontade de voltar...

Anônimo disse...

Fiquei querendo conhecer Quito, com seu maravilhoso relato.
Telma