terça-feira, 19 de setembro de 2017

A incrível subida ao Cotopaxi e a inesquecível beleza da Lagoa Quilotoa (Equador-julho/2017)



Mesmo de Quito (a 75km), a visão do Cotopaxi, um cone perfeito com o pico branquinho de neve, parece meio surreal, pintado à mão.
À medida que eu me aproximava desse vulcão, o segundo maior ainda ativo do mundo, a admiração ia crescendo e subir uns poucos metros até um acampamento base, foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.



Embora nunca tenha passado pela minha cabeça ser alpinista, sempre gostei de ler histórias de quem desafia seus limites. “No Ar Rarefeito”, livro que conta a história de uma expedição ao Everest particularmente desastrosa, que tirou a vida de muitas pessoas, foi um dos raros livros lidos duas vezes por mim. Todo aquele desafio, esforço sobre humano e determinação dos alpinistas me encantaram.
Subir um pouquinho no Cotopaxi me levou de volta àquelas aventuras do livro. Não que eu tenha chegado pelo menos perto de uma subida ao Everest (nem em neve eu andei!), mas deu pra sentir 1/10000 do que é encarar uma subida em condições adversas na altitude, frio e vento.

O Cotopaxi tem exatos 5.897 metros e, como ainda é ativo, visitá-lo demanda sorte. Se ele resolver se “enfezar”, o parque é fechado e ninguém pode se aproximar. Então, é preciso que as condições estejam perfeitas.
Nisso nós tivemos muita sorte porque o tempo estava lindo! Céu azul que a toda hora deixou o pico nevado brilhando e em nenhum momento encoberto por nuvens.
Saindo de Quito, percorremos 75 km até chegar à entrada do Parque Nacional Cotopaxi. De lá, continuamos de carro por mais uns 25km até atingirmos os 4500m, onde todos os carros param e seguimos à pé, cada um por si e Deus por todos (apesar do guia sempre perto, o que é obrigatório).


Começando a subir

O refúgio fica a 4864m. O desnível é de 300 metros mas de caminhada são 800 metros bastante íngremes, com um vento tão forte que muitas vezes eu precisei sentar para que ele não me derrubasse. O frio foi amenizado pelo bom tempo e pelo esforço físico que, naquela altitude, me fazia parar a cada 10 metros, com o coração em tempo de sair pela boca. Eu olhava pro refúgio, achava que dali a pouco chegaria nele, mas o coração não deixava e me fazia parar a cada instante para respirar e acalmá-lo.


Parando pra descansar

Algumas pessoas desistiram no caminho. Outras passaram mal com a altitude. Felizmente, há mais de 7 dias viajando acima de 2500 m, eu não senti nada além do cansaço normal.
Chegar no refúgio, depois de 1 hora, foi uma sensação inesquecível. Naquele momento me senti no topo do próprio Everest!

A alegria da conquista

Acima do refúgio, o caminho para o pico só é aberto a quem deseja atingi-lo, à noite, para evitar possíveis avalanches que o aquecimento do sol pode causar, bem como para evitar o calor,  que torna o processo mais cansativo.
Pra mim, ir até ali já foi um feito incrível que valeu cada segundo, apesar da dificuldade.
No refúgio, um pouco de descanso, beber água, chá, chocolate ou comer algo, carimbar o passaporte e voltar, dessa vez tendo mais cuidado ainda com o vento, o que não evitou que eu caísse algumas vezes......

Interior do refúgio
Vídeo da subida no Cotopaxi: https://www.youtube.com/watch?v=LvX5_Z93DRA



Do Cotopaxi, seguimos para Latacunga, uma cidadezinha pequena e calma que, no domingo, estava tão calma que parecia deserta. Como sempre, caminhar por esses locais me encanta e caminhando chegamos a um parque com uma lagoa no meio onde as famílias passeavam, brincavam com as crianças, comiam, andavam nos barquinho. Uma tranquilidade tão grande, que invejei....




Vídeo da pracinha em Latacungahttps://www.youtube.com/watch?v=myurWpinNGE
 

Latacunga foi colocada no roteiro somente para dormida, pois dali fomos de ônibus na manhã seguinte bem cedo para nossa próxima aventura: a Lagoa Quilotoa.
Na verdade, a lagoa também é um vulcão. Ou melhor, a lagoa formou-se na cratera do vulcão. Esse, extinto.
Chegamos ao pequeno povoado ainda cedo pela manhã. Vento congelante, o que nos fez parar em uma local para tomar café e, principalmente, procurar abrigo e esperar que o vento diminuísse.
Dali partimos em busca da trilha pra lagoa. Existem outras trilhas, como uma mais longa ao redor da cratera. Optamos pela mais curta, de 1,7km e, com certeza mais bonita, que nos leva até a base da cratera, na lagoa.
Logo ao chegar no mirante, a beleza do lugar é de emudecer. Sem exageros! É lindo demais!!!!! 




Fomos devagar, pois é meio escorregadio por conta da areia e algumas pedrinhas. Enquanto descíamos, outros turistas subiam, a maioria em cavalos. Os mais dispostos, à pé.
Todo o percurso é belíssimo e para-se a toda hora para apreciar a paisagem e tirar fotos.





Na base existe uma pequena cabana que vende água, refrigerante e biscoitos além de alugar kaiaques. A água, como não poderia deixar de ser, é gelada. Mesmo assim havia uns loucos tomando banho....





Na hora de subir, como a maioria, optamos pelos cavalos, aliás, éguas. A subida merece! É muito puxada e a altitude de 3500m só dificulta.


Vídeo do passeio ao Quilotoa: 



Na volta, perdemos o ônibus e como não quisemos esperar pelo próximo, aceitamos o oferecimento de ir até a cidade mais próxima num “pau de arara” (U$ 2 por pessoa). Chegando na cidade, “aceitamos” novamente o oferecimento de um “taxi” (+ U$ 2 por pessoa), uma caminhonete de cabine dupla. Achando que iríamos sozinhos com o motorista, fomos nos apertando no banco à medida que entravam mais pessoas, todos indígenas e falando quíchua, dentre eles uma bebezinha presa às costas da mãe, uma “cholita” toda caracterizada.


Eu precisava registrar....

Depois de 45 minutos apertados, ouvindo música em quíchua, finalmente chegamos em uma rotatória no meio da estrada onde o motorista da caminhote nos apontou o ônibus que estava naquele momento saindo para Quito e lá fomos nós!
Nada como essas surpresas em viagens, o que tornou tudo ainda mais inesquecível.
Cotopaxi e Lagoa Quilotoa são passeios obrigatórios para quem aprecia uma boa aventura e a beleza da natureza. Amei!



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 Dicas para quem vai:

Roupas: no Cotopaxi faz frio. Leve gorro, luvas e casaco corta vento, se possível. Leve óculos para proteger os olhos da areia levada pelo vento. Botas são bem vindas, principalmente em Quilotoa onde o piso é escorregadio. Foi um sofrimento ter ido de tênis!

Adaptação : Se você vai passar uns dias em Quito ou Cuenca, deixe para ir ao Cotopaxi e Quilotoa por último. Alguns dias de altitude, já deixam o corpo adaptado e isso ajuda bastante.

De Quito para o Cotopaxi: você pode ir de ônibus normal de linha, mas optamos por fazer o passeio através de agência. Se for de ônibus por conta própria, na entrada do parque é preciso contratar um carro 4X4 e um guia (o 4X4 é imprescindível, pois o caminho até o estacionamento final é escorregadio e bastante íngreme).
A agência faz os dois tour no mesmo dia, num bate/volta para Quito. A não ser que seu tempo seja curto, eu não recomendo. A caminhada no Cotopaxi é pesada, assim como a de Quilotoa. Creio que o segundo passeio não seria tão apreciado devido ao cansaço e pouco tempo.
A opção de dormir em Latacunga na minha opinião é perfeita.
A agência Expediciones Centro del Mundo nos pegou no hotel e providenciou que o guia do Cotopaxi nos deixasse em Latacunga (enquanto os outros turistas do tour seguiam para Quilotoa).

Preço para Cotopaxi – U$ 45 com café da manhã, almoço e guia (se fossem os dois passeios juntos, seria U$ 75).
Hotel em Latacunga :Hotel Endamo Hotel simples mas que atende à necessidade de uma noite, especialmente pelo proprietário, extremamente gentil e que nos deu todas as dicas de que precisávamos.

De Latacunga para Quilotoa: ônibus de linha na rodoviária local. Empresa Vivero faz o percurso direto em 2 horas, por U$ 2,50. Saímos no ônibus de 7:55 horas.
Existem também excursões que saem e voltam para Latacunga, pelo preço de U$ 40 por pessoa.

Cavalos para subir: U$ 10 por pessoa . Sobe-se em 40 minutos e vale muito à pena!
Ainda na Lagoa, paramos para almoçar no Hostal Chukirama. Foram U$ 4 por pessoa pelo almoço que incluía sopa, prato principal e suco. Achei o local bacana para quem se interessar em dormir  e fazer as trilhas sem pressa.

De Quilotoa para Latacunga: o mesmo ônibus da ida. O último sai da lagoa às 17 horas.
De Latacunga para Quito: 1h30h de viagem de ônibus por U$ 2 por pessoa. Parada final no Terminal de Quitombe, em Quito, de onde pegamos um taxi por U$ 10 (tarifa combinada, sem taxímetro) para o centro de Quito.


Mais fotos:

Ó ele lá longe!




Parada na estrada para apreciar o Cotopaxi ao longe




Já dentro do Parque, o nosso grupo


Chá de coca antes de iniciar a subida para diminuir os efeitos da altitude

Começando a subida










Lááááá na frente, o teto do refúgio

Só um restinho de neve nesse pedaço da trilha



Cheguei!!!!


Acima, neve e o cume

No refúgio



Foto do recorde da subida

Lanchonete do refúgio



As pessoas que ainda estavam subindo

Mais fotos antes de descer








Descendo....




Passaporte carimbado

Praça central de Latacunga

Parque de Latacunga



Em Latacunga, a visão de mais um vulcão

Chegada à localidade da Lagoa de Quilotoa



Começo da descida

😱😱😱









Vegetação no caminho

Poeira na passagem das éguas









Pequeno vendedor de tangerinas no caminho


Apreciando


Chegando à base











Lindo demais!



Hora de voltar


Fomos láááááá embaixo



Almoço no hostal

Hostal Chukirawa

Dentro do pau de arara

E na caminhonete


2 comentários:

Leila disse...

Adorei o relato!! Lindas fotos!! Parabéns!!

Wilkie Martins disse...

Inesquecível Cotopaxi! Onde meu coração saiu pela boca...