terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Jalapão, esse lindo e imenso desconhecido (Tocantins -dezembro/2017)



Bora falar do Jalapão? Jala o quê? Aquele... da letra do Skank "Que seja no Japão, Jamaica ou Jalapão..." Ou, mais recentemente, o da novela global.
Jalapão, esse imenso desconhecido do nosso Brasil


Antes pertencente a Goiás, com a divisão territorial o Tocantins saiu ganhando ao ficar com a área de 158 970,95 ha onde hoje se situa o Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 e que hoje é a principal atração turística do estado.
Nao sem razão.
São cachoeiras, fervedouros, dunas, rios, serras. Uma riqueza natural incalculável. Porém, engana-se quem achar que é fácil apreciar tudo isso. O Jalapão é bruto!
Pra pessoa ver todos esses atrativos, que ficam sempre muito distante um dos outros, tem que ser bruta também e aguentar muitas horas saculejando em carro.
As estradas são todas de areia e os caminhos não são sinalizados.
A isso soma-se o fato do Jalapão ter uma das menores densidades populacionais do país, 0,8 habitantes por km². Por essa razão, (assim como pelo clima da região, sempre quente) é conhecido como "deserto do Jalapão".
Por todas essas razões, a maioria das pessoas (como nós) costuma contratar agências especializadas com roteiros já montados, que vão de 2 a 6 dias, com pernoites nas pequenas cidades que situam-se ao redor do Parque, com destaque para Ponte Alta, Novo Acordo, São Félix do Tocantins e Mateiros.

  
Depois de pesquisar bastante, fechamos o passeio de três dias com a Nortetur, agência familiar que trabalha na região vários anos (ver mais nas "dicas para quem vai").
Acho que foi um tempo muito bom pra não ficar muito cansativo e poder ter uma visão geral dos principais atrativos.

Nossa expedição
Conhecemos a Cachoeira do Formiga, com sua água esverdeada transparente, fomos a dois fervedouros, poços naturais com águas borbulhantes que vêm de baixo para cima num fenômeno chamado ressurgência, responsável por não nos deixar afundar (o fervedouro Bela Vista e o do Ceiça), conhecemos o Gruta de Sussuapara, com sua fenda de 60 metros de altura que forma um cânion, a Pedra Furada situada num conjunto de imensos blocos areníticos, e as impressionantes dunas alaranjadas do Jalapão, formadas no meio do nada, a partir da erosão de serras próximas. Pelo menos pra mim, o ponto alto do passeio. 
Tivemos sorte porque, devido à uma forte chuva, o passeio das dunas que estava agendado para ser ao por do sol, foi transferido para a manhã seguinte e, de manhã cedo, as areias alaranjadas com o silêncio da exuberante paisagem ao redor, ficaram exclusivos para nós.

 
O único local que não estava no nosso roteiro original e pedimos para ser incluído  foi a comunidade de Mumbuca (com cerca de 150 famílias), uma antiga comunidade quilombola formada por escravos fugidos da Bahia e que "ganhou fama" por ter sido lá onde começaram a fazer o artesanato com o capim dourado, cultivado na região e colhido apenas 1 vez por ano.

Artesanato de capim dourado em Mumbuca
Andamos quase  1000km desde Palmas por estradas desertas na região do cerrado, onde até animais era difícil de serem vistos. Uma ema, uns veados, uma arara, um gavião.... Foi tudo. Realmente é um deserto.
O Jalapão é bruto sim. As cidades "de pouso" têm pouca infraestrutura e termina-se passando muito tempo na estrada. Mas é um pedaço do Brasil muito bonito que merece ser conhecido.



Dicas para quem vai:


Carro ou agência: vi pouquíssimas pessoas se atrevendo a fazer o passeio por conta própria. Quem quiser se aventurar (o melhor é usar carro 4X4), vá ciente que roda-se sem qualquer indicação de caminho e muito menos existe gente a quem perguntar (lembre-se da baixa densidade populacional). Não à toa, a grande maioria das pessoas que vai conhecer o Jalapão o faz através de agências de turismo.

Nortetur: a agência é familiar.. Fomos muitíssimo bem atendidos por todos, D. Telma, Flávio e S. Nelito que foi nosso motorista e guia durante o passeio. No pacote de três dias, estavam incluídos os transfers ida/volta do aeroporto pro hotel, duas noites em pousadas em Mateiros e as três refeições diárias, comidas caseiras, sem luxo, simples, mas gostosas e no último dia, por ser mais corrido, lanche no horário do almoço.Telefone pra contato: (63) 3215.4957 e (63) 8406.7438.
http://www.nortetur.com.br/ 

Onde se hospedar: as cidades mais utilizadas como pouso durante os passeios são Ponte Alta, São Félix e Mateiros. Quem vai através de agência não precisa se preocupar com esse detalhe pois as pousadas (bem simples, mas com ar condicionado e chuveiro elétrico) estão incluídas nos pacotes. No nosso caso, ficamos duas noites em Mateiros, cidade pequena, que no final de 2017  anunciou uma “taxa turística” por pessoa/dia de R$ 20,00. Com os protestos, a prefeitura estuda baixá-la para 2 ou 5 reais.

Atrações: algumas atrações, como os fervedouros e cachoeiras são pagas. Para nós, as entradas estavam incluídas no pacote mas a média de preço é R$ 20,00 por atração.

Época do ano para ir: o Jalapão é sempre quente e de dezembro a maio é a época de chuva. Fomos no final de novembro e começo de dezembro e achei o clima bom, com algumas chuvas de manhã que não chegaram a atrapalhar o passeio e ainda deram uma amenizada no calor.

Celular: usado praticamente a viagem toda como câmera fotográfica. Nas cidades, a única operadora que pegou foi a Vivo. Wi-Fi nas pousadas beeeeem sofrível....

Compra de artesanato de capim dourado: foi em Mumbuca onde começaram a fazer artesanato com o capim dourado  e lá tem um local onde são vendidas as peças produzidas por todos da comunidade. Em Mateiros, uma casinha de um senhor conhecido por “Morrão” também tem algumas peças (até mais baratas que em Mumbuca, porém com menos opção). Outro local onde paramos, também com muita variedade, foi em uma lojinha na cidade de Ponte Alta (infelizmente não lembro o nome, mas acho que é a única existente).

O que levar: a principal recomendação é levar dinheiro pois usar cartão de crédito por lá é meio difícil..... Protetor solar, roupas leves, roupa de banho e chapéu também são indispensáveis. Não fiz nenhuma trilha longa nem pesada, portanto usei chinela “papete” sem problema. Quanto aos mosquitos, recomenda-se levar repelente, mas felizmente não tivemos esse problema.


Veja mais sobre Tocantins: Palmas, a caçula das nossas capitais (dezembro/2017) 
                                                          XVII Meia Maratona do Tocantins (02/12/2017)  



Fotos do passeio:


A sede da Nortetur

Explicações iniciais dadas pelo Flávio
Entrada do Parque

Parada para almoço no 1o dia

Adooooooooro

Rio Sono e a Praia dos Borges




Brinde inaugural da expedição

Praia dos Borges
Neide em meio a uma nuvem de borboletas






Parada para comprar doce de buriti


Estradas do Jalapão


Pedra da Catedral

Entrada do Fervedouro Bela Vista


O fervedouro e suas águas que não nos deixam afundar



Mateiros à noite

Artesanato de capim dourado do Seu Morrão, em Mateiros



O capim

A pequena comunidade de Mumbuca


A associação onde se vende o artesanato





Maurício Ribeiro, tocando para nós sua viola de buriti

Wilkie se aventurando

"Doutora" (Noemi), a autoridade maior de Mumbuca











Fervedouro do Ceiça

Impossível afundar

Mais estrada....

Bar ao lado da entrada para as dunas


Fogão à lenha







Nós e a dona do bar, uma figura!


Ao longe, o laranja das dunas

Uma arara em seu ninho





Caminho para as dunas


















 
Almoço no meio do tempo


Descida para o cânion do Sussuapara





 



Estrada para a Pedra Furada





Final da expedição na Pedra Furada

Um dos almoços nas pousadas em Mateiros







Um comentário:

Wilkie Martins disse...

Jalapão é bruto porque a natureza lá é bruta: paisagem de cerrado, clima de savana, águas águas águas, fervedouros, dunas alaranjadas, chapadões e serras... Belo relato, Lia!