quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bogotá e Zipaquirá, a maravilha da Colômbia - julho de 2015

Com população de pouco mais de 7 milhões de habitantes e entre 8 e 9 milhões (se contar com sua região metropolitana), Bogotá  é uma das cidades mais povoadas da América do Sul, enquanto que sua altitude de 2640m acima do nível do mar a coloca na posição de 3ª. capital mais alta do mundo (perdendo para La Paz e Quito). Em razão dessa altitude, a cidade possui um clima sempre agradável, com temperatura média em torno de 14oC.


Do Cerro de Monserrate, a vista da imensa Bogotá abaixo


Com uma população grande assim, a cidade é vibrante. Um vai e vem constante com ruas apressadas de grandes metrópoles e avenidas engarrafadas.

Pra minorar isso, Bogotá é conhecida por seu plano cicloviário com quase 400km de “ciclorutas” e o transporte público de lá, o Transmilênio com seus ônibus biarticulados é eficiente, rápido mas muito lotado.

Em horário de pico andar no Transmilênio é com certeza a sensação de sardinha em lata. Praticamente impossível. E mesmo em horário que não seja de rush, certas linhas são sempre lotadas. Fala-se na implantação de um metrô de superfície para desafogar o Transmilênio. Apesar disso, o sistema é muito eficiente.

Mesmo sendo  localizada nos Andes, o lado pulsante e movimentado da cidade não me atraiu muito.
Dos parques, eu só fui ao Simon Bolívar, de onde saiu/chegou a meia maratona e não pude aproveitá-lo, mas percebi que estava lotado pelos bogotanos no domingo pela manhã, com crianças brincando e pessoas passeando e fazendo esportes. É um complexo bem grande e vale uma visita com mais calma.

O centro da capital é um local com muitas atrações.
A Plaza Bolívar é o coração da cidade, com a Catedral de Bogotá, o Palácio da Justiça e o Capitólio (Congresso Colombiano) todas bonitas construções. Pertinho fica o Palácio Presidencial (Casa de Nariño), mas não tivemos acesso porque nesse dia estava interditado.

Plaza Bolívar e a Catedral
Dessa praça central, dá pra seguir caminhando e ir até o Museu Botero, que possui não somente as obras do famoso pintor/escultor dos gordinhos, mas também pinturas de artistas famosos como Renoir, Picasso, Miró.


A Monalisa de Botero
Depois, mais caminhada e chega-se ao Centro Cultural Gabriel Garcia Marques, um local de exposições temporárias, como pintura e fotografias. Nos arredores desse Centro, as ruas da cidade são estreitinhas, com casas avarandadas, lembrando a arquitetura de Cartagena. É a parte mais antiga de Bogotá e caminhando entre essas ruas, chega-se ao local de onde a cidade surgiu, em 1538, a Plaza Chorro de Quevedo, com ruas mais estreitas ainda, muros grafitados, muitos hostels e um movimento grande de jovens. Na pequena praça , artistas populares de apresentam e quando lá estive, era um “contador de histórias”. Claro que não entendi nada, mas as pessoas, sentadas no chão, me pareceram bem interessadas.


A atenção à história na Plaza Chorro de Quevedo

É na região central que fica também uma das principais atrações de Bogotá: o Museo del Oro.
Um dos maiores museus de ouro do mundo, riquíssimo, com peças da época pré-colombiana, o museu conta toda a história do país. Muito didático com peças bem distribuídas em 3 pavimentos.


Uma das salas do Museu do Ouro

Outro grande atrativo de Bogotá é o Cerro de Montserrate onde, através de funiculares ou teleférico, a gente fica ainda mais alto, atingindo a altitude de 3150m e tem uma vista deslumbrante da capital colombiana esparramada embaixo. Além da vista, tem uma feirinha de artesanato, o santuário, lanchonete e restaurante. Lá, foi o único momento que eu senti um pouco de tontura devido à altitude. Mas foi somente na chegada e logo passou.


Hora de relaxar e apreciar a vista de Bogotá do Cerro de Monserrate

Foi no último dia em Bogotá que, procurando um shopping, achei a zona noturna talvez a mais movimentada da cidade. Ao lado dos shoppings chiques, Andino e El Retiro, as ruas são todas lotadas de barezinhos e cervejarias. É a chamada “Zona T”, entre as “calles” 83 e 86. Um movimento pulsante em uma sexta-feira à noite.


Shopping Andino. Boas lojas e algumas com bons preços

Nossa escolha foi o badalado Andres Carne de Res, um restaurante/bar original, com uma decoração bem diferente, ambiente legal e comida muito boa. Claro, que com tudo isso, caro! É uma rede de restaurantes e o mais famoso não é o do shopping, mas nem por isso menos movimentado e, como não tínhamos feito reserva, só conseguimos mesa porque chegamos cedo.


O movimento no Andres Carne de Res

Mas o mais legal que eu achei não foi nem em Bogotá e sim em uma pequena cidade que se localiza a uns 50km de distância, chamada Zipaquirá e que abriga o que eles chamam de a “1ª. Maravilha da Colômbia”, a Catedral de Sal.
E é mesmo uma maravilha!


Construída toda em sal, dentro dos túneis desativados da mina de sal de Zipaquirá,  a 180 metros abaixo da superfície, a Catedral é deslumbrante e me emocionou pela sua beleza e grandeza.
Eu não imaginava que iria encontrar aquilo ali. Uma Via Crucis com 14 estações, além de uma nave central com uma cruz toda em sal, de 16 metros de altura, onde até o Papa já celebrou missa.




Antes, havia uma catedral feita pelos mineiros mas, por questão de segurança foi fechada e uma nova construída abaixo da antiga,  com projeto arquitetônico.

Além da Via Crucis, da cúpula central e da nave principal, existe uma área comercial também dentro dos túneis, com cafeteria, lojinhas de artesanato e um mini cinema em 3D que conta a história da Catedral. Impressionante e tudo muito lindo.



Para quem quiser, tem a opção de um “tour mineiro”, algo que desaconselho totalmente para os que tiverem fobia de escuro, pois caminhamos por túneis em uma escuridão feroz, agarrados em cordas e nos ombros uns dos outros .

A pequena cidade de Zipaquirá por si só é também bonita. Uma cidadezinha com jeito de interior, com uma bela “Plaza de Armas” e ruas bem típicas. Foi pelas ruas de Zipaquirá que comi a melhor arepa com queijo da viagem.


A Plaza de Armas de Zipaquirá

E assim foi minha passagem por Bogotá. Não tive nenhum incidente e achei a cidade segura. O único local que nos chamaram a atenção para termos cuidado foi no centro. Como todo centro de cidade grande, furtos podem acontecer, mas não vi nada disso e o policiamento lá é intenso, aliás, como em toda a cidade. Policiais e exército nas ruas em toda esquina, em toda estação de ônibus, em todos os lugares, me deixaram com a sensação de estar em um local seguro. Além dos policiais, chama a atenção a quantidade de seguranças particulares de lojas e restaurantes. Não tem como se sentir inseguro em Bogotá.


Abaixo, seguem dicas mais detalhadas dos locais visitados para quem se interessar, assim como mais fotos:

Chegando na cidade pelo aeroporto:

       Câmbio: dentro do desembarque tem duas casas de câmbio. Não troque dinheiro nelas. Logo ao passar pela porta de vidro do desembarque internacional, do lado direito, tem outra casa de câmbio com preços melhores. Ainda é “preço de aeroporto”, mas troque alguma coisa lá para pagar o táxi. O restante eu troquei sempre em shoppings e sempre foi melhor a conversão com o dólar do que com o real (que não tem em toda casa de câmbio).

   Transporte: saindo do desembarque, existem várias pessoas oferecendo taxis. Não aceite. São caríssimos. Pegue os táxis de uma fila de táxis normais (é fácil de identificar). O preço será o da bandeirada normal (que não é cara na Colômbia), acrescida de uma taxa de 4000 pesos (uns 5/6 reais) por ser no aeroporto.
Eu não tive qualquer problema com taxis em Bogotá. Os motoristas de um modo geral me pareceram honestos, com exceção de uma única vez que achei que a corrida de ida para um local foi bem mais cara do que a da volta. Os preços dos taxis lá são cobrados por uma tabela, que sempre fica à mostra no banco de trás dos carros para que os passageiros possam vê-la e fazer a conversão.
Mas se você quiser ir de cara logo testando o Transmilênio, em frente ao desembarque também tem um ponto e uma pessoa que vende o cartão que você sempre pode recarregar nas estações.
O sistema do Transmilênio é facílimo de ser usado! Basta você chegar em um dos policiais que sempre estão pelas estações, ou nos funcionários do próprio sistema e dizer pra onde irá que eles dirão prontamente qual ônibus pegar, qual conexão fazer, etc. rsrsrs
Sério! Nem tente perder tempo tentando entender como funciona! Impossível. Vá na base da pergunta mesmo que eles são todos muitos gentis em explicar.

Catedral de Sal de Zipaquirá: reserve um dia todo para esse passeio, saindo de manhã e voltando à tardinha.
Existem tours que lhe levam lá, mas são muitos caros. Optei pelo ônibus comum mesmo e foi sem problema algum. Se for de ônibus, pergunte no hotel qual o melhor modo de chegar até o Portal Del Norte. Pode ser de Transmilênio (como eu fui) ou de taxi. No Portal Del Norte, procure de onde saem os ônibus intermunicipais para Zipaquirá (que eles chamam de Zipa). É um ônibus comum, a passagem de 4500 pesos (uns R$ 7,00) é paga ao trocador e a viagem dura uns 50 minutos. Diga ao trocador para lhe avisar o melhor local para descer na cidade para ir na Catedral de Sal. Aí é só ir perguntando e, em uma caminhada pelas ruas de Zipaquirá, passando pela Plaza de Armas, você chega à Catedral sem problemas. A volta para Bogotá é do mesmo modo.
Chegando na Catedral existem vários tipos de ingressos. O básico dá direito à visita ao local e ao cinema 3D. Outros incluem um passeio de trem pela cidade, uma escalada numa parede de escalada e o tal tour mineiro. Escolhi o que incluía a “ruta del minero”, mas ratifico: se tem fobia ao escuro ou claustrofobia, não vá.

Restaurantes: além do já mencionado Andres Carne de Res, comi em outros dois restaurantes excelentes e que recomendo muito:

Minimal – local pequeno e agradável, fica no bairro conhecido como Chapinero (não tem placa e é meio escondido, mas fica ao lado de outro restaurante chamado “Fusionario Tapas”). É uma cozinha colombiana contemporânea, com pratos individuais, porém bem servidos. Fui em uma 2ª. feira à noite e tinha pouca gente, mas é melhor fazer reserva para garantir. http://www.mini-mal.org/





Nossas escolhas no Minimal: peixe e frango

Los Cauchos – também não tem placa indicativa. É uma restaurante tradicional que serve comida colombiana preparada artesanalmente. O dono, D. Gustavo é um senhor super simpático que explica sobre os pratos (muito bem) servidos na maior gentileza do mundo. Uma delícia de ambiente e comida! Atenção: não abre nos domingos e feriados e, para o jantar, somente com reserva. http://www.tripadvisor.es/Restaurant_Review-g294074-d1828494-Reviews-Los_Cauchos-Bogota.html


O restaurante e seu dono, o simpaticíssimo D. Gustavo

Os famosos "patacons" (bolinhos de banana verde) com abacate e chorizo



Frijoles (feijão) com porco, banana e abacate . Uma "feijoada" colombiana
                  

Hotel: já mencionei o que fiquei quando da Meia Maratona ( http://liaccampos.blogspot.com.br/2015/08/16a-meia-maratona-de-bogota-colombia.html ). Depois da prova segui para La Macarena e ao voltar fiquei em outra região da cidade, a Zona Norte. É um local bem agradável para se ficar hospedado e o hotel escolhido foi o Andes Plaza. Um bom hotel e bem localizado: http://www.hotelandesplaza.co/


Veja Mais Sobre a Colômbia: Projeto Colômbia 
                                                Medellin. Dois dias foram pouco 
                                                Cartagena das Índias 
                                                Caño Cristales



Palácio da Justiça



Plaza Bolívar e o Capitólio


Passeata de trabalhadores na Plaza Bolívar

Simon Bolívar, o grande libertador da América Espanhola


A linda Igreja Nossa Senhora do Carmo, que infelizmente estava fechada


Centro Gabriel Garcia Marquez

Rua do centro histórico de Bogotá


Adão e Eva de Fernando Botero

Pátio interno do Museu Botero




Ruas do centro histórico

Rua na Plaza Chorro de Quevedo

Plaza Chorro de Quevedo








Museu do Ouro

Um "Pensador" pre colombiano no Museu do Ouro


Feirinha de artesanato ao lado do Museu do Ouro


De dentro de uma estação do Transmilênio


A entrada do Cerro de Monserrate e o teleférico



O santuário




Eu, Wilkie e Bogotá, do alto dos 3150m do Cerro de Monserrate

Movimento ainda começando na Zona T

Choperia famosa na cidade

Nossas escolhas no Andrés Carne de Res : arepa de entrada



e carne com batatas criolas


O enfeitado ônibus que nos levou a Zipaquirá






Entrada da Catedral de Sal de Zipaquirá

Via Crucis













Escultura toda em sal







Nave central





Ralando nas minas


Na saída da Catedral com meu SALário pelo "trabalho" nas minas




2 comentários:

Leila disse...

Lindas fotos. Adorei o relato. Viajei junto.

Wilkie Martins disse...

Perfeito, curto mt o teu estilo de escrever. Parabéns! Tua descrição será, com certeza, de grande utilidade pra quem procurar informações sobre Bogotá. E sobre a maravilha que é a Catedral de Sal de Zipaquirá então...