terça-feira, 15 de setembro de 2015

Caño Cristales - Colômbia - julho 2015



Sabe aqueles posts “Não morra antes de visitar esses 10 locais na América do Sul” ou tipo assim? Pois foi neles que eu soube da existência desse rio situado no meio da selva colombiana, na cidade de Macarena.
Caño Cristales, “O Rio das Cinco Cores”.


As informações disponíveis sobre essa atração colombiana são poucas e deu muito trabalho pesquisar e tentar encontrar dicas de como chegar, onde se hospedar, passeios, etc, mas consegui me virar, montar meu roteiro e chegar até lá, toda empolgada com as fotos que tinha visto.

Pra começar, não é sempre que se pode fazer esse passeio. Em alguns meses do ano o acesso fica proibido porque o que causa as cores no rio são umas plantinhas e existe uma época do ano que elas precisam se reproduzir em paz, sem ninguém perturbando, Nessa época a temporada é fechada.

Depois, tem o valor do passeio. “Carim carim” $$$$.
La Macarena, a cidade no departamento de Meta onde localiza-se o rio, só pode ser acessada por via aérea. Quer dizer... Tem acesso por  terra mas a estrada é péssima, demora muito e por isso totalmente fora de cogitação para turista.
Então sobra o avião, que pode ser de dois modos: um daqueles pequenininhos saindo da cidade de Vilavicêncio ou um maiorzinho, saindo de Bogotá.
Por ser mais prático e também por medo (😀), escolhi sair de Bogotá, com o avião maior.
Mais um entrave: a única companhia que faz o voo Bogotá/Macarena tem dias certos para ir e para voltar. Ou seja, quem vai tem que passar no  mínimo duas noites na cidade. Foi o que eu fiz, indo na 4ª. feira e voltando na 6ª.. 

Hotel? Não tem. São as casas dos moradores que se transformam em pousadas para os turistas na época da estação.
Pode-se até ir com tudo organizado por agência mas as pousadas são no mesmo nível e o preço dessas agências é alto.

Fui na cara e na coragem para arranjar tudo por lá, desde a dormida, os guias e principalmente  o encaixe no passeio pra conhecer o rio (isso é importante porque existe uma quantidade máxima de pessoas permitida por dia).

Ao me aproximar de La Macarena, olhando através da janela do avião, cheguei a pensar que tinha pegue o voo errado ou então que o piloto havia se perdido. Olhava, olhava, olhava e só via mata. Nada de cidades nem de povoados. Nada! Onde é que eu tô?! Tô indo pra onde?!
Finalmente chegamos no pequeno aeroporto e o primeiro impacto foi de susto com a quantidade de homens do exército. Na cidade isso é ainda mais estranho.... aqueles homens pra cima e pra baixo portando metralhadoras como se estivessem em guerra.
Mas depois me acostumei.


Há bem pouco tempo aquela área era ocupada pelas FARCs. Não havia turismo nenhum. Ninguém tinha coragem de se aproximar.
O exército colombiano chegou, os guerrilheiros foram embora e eles continuam com sua base militar na cidade. Os moradores parecem nem se dar conta disso mas acredito que os turistas se assustam no começo... Eu me assustei.

No aeroporto (que nada mais é que uma pista de pouso), já estão vários guias aguardando seus grupos de turistas que vão, grande maioria, com pacote de agência, tudo já organizado. Só eu e Wilkie sem pacote.
Meu maior receio era não conseguir encaixe em nenhum grupo pro passeio ao rio, exatamente a razão da minha ida.
Perguntei a um, a outro e finalmente cheguei até uma pessoa que faz parte da associação dos guias locais e assim, até a Doris, de quem já tinha ouvido falar em um blog.
A Doris é moradora local e, com eficiência e honestidade, faz seus próprios grupos. Tudo é tratado com ela. Uma casa sua (simples mas boa) foi transformada em alojamento para seus turistas e ela monta os passeios que queremos fazer, já incluindo o guia e as refeições. Até o transfer (de tuk tuk) do aeroporto pra sua pousada é ela que organiza. Foi maravilhoso porque conseguimos o tão sonhado passeio e tudo se encaixou perfeitamente.

No mesmo dia da nossa chegada a Doris perguntou se queríamos fazer um passeio lá por perto mesmo. Fomos de tuk tuk, por uma estrada de terra, passando por riachos, sendo parados pelo exército e chegamos a um pequeno rio. Nada demais mas foi legal.



No segundo dia, depois do café, partimos para uma palestra e explicações na Associação. Um audiovisual para explicar aos turistas que iriam ao rio naquele dia, sobre as normas de conduta e de preservação do ambiente.
Eles cuidam de tudo aquilo com muita seriedade, cuidado e consciência da importância da preservação.
Depois do filme e explicações, cada um partiu com seus guias. Nós, a turma da Doris, éramos quatro pessoas, dois brasileiros e dois colombianos.

Local das explicações aos visitantes

 A caminhada foi longa e puxada. Nos recomendaram ir de mangas longas e calças compridas não somente em razão do sol mas por causa de arbustos que poderiam nos arranhar na trilha.
Foi muita caminhada mesmo. Uma natureza muito bonita, com cachoeiras e rios. E as cinco cores? Bem.... Vimos mais ou menos umas três .... Olha, pra ser sincera, as fotos que eu tinha visto ficaram muito além do presencial. 😢😢
Como eles têm que dividir os grupos entre as várias trilhas para que nenhuma fique aglomerada, nosso guia nos disse que não fomos na mais bonita, onde as cores são mais vivas e abundantes. Como assim? Viemos até aqui e não nos levaram no local mais bonito?
O colombiano que estava no nosso grupo ficou fulo da vida! Não se conformava de ter feito toda aquela viagem, ter caminhado pra caramba e não ter ido ver as cores que ele tinha visto nas fotos. Eu também me chateei, mas fazer o quê?



Voltamos pra pousada e depois do banho, Doris e o marido nos levaram para o jantar (incluído no pacote) em um local que eles estão construindo para servir de pousada.

E foi assim o local da Colômbia que eu estava com a maior expectativa de conhecer. Vi o rio das cinco cores, mas não do jeito que imaginei.

Fora esse passeio principal, existem outros, todos envolvendo a natureza do local, com trilhas e caminhadas. O local é muito bonito sim, mas nada que justifique a nós, brasileiros, com tantas belezas que temos, toda aquela viagem e gasto.

Sabe o que mais gostei? Da cidade.
Achei muito legal aquela cidadezinha no meio do nada, clima agradável, tranquila, sem carros e com um céu super estrelado à noite. Tipo cidade do interior do Brasil há alguns anos.
Quando cheguei, estranhei a falta de chaves na casa da Doris. Não tinha nem nos quartos! Depois fiquei sabendo que lá é assim mesmo. Com todo aquele exército na rua, realmente fica difícil imaginar roubos, furtos ou desordens...
Existem umas duas ruas principais por onde transitam motos e tuk tuks. Quase nenhum carro.
Esqueça wi fi. O único acesso à internet é um pequena “lan house” com computadores antigos e conexão leeenta. Surreal, caminhar pela cidade e não ver um único ser humano grudado em seu smartphone.

À noite, depois do jantar, paramos em um dos vários locais com muitos jovens jogando sinuca e ficamos observando e conversando com o casal colombiano, nosso companheiro de passeio.
Nas ruas, muitos estrangeiros. Várias nacionalidades. Só não vi nenhum brasileiro. Engraçado observar a cidade “tomada” por aquelas pessoas altas, loiras, falando várias línguas, no meio de um povo simples, que aparentemente não mudou sua vida com aquelas presenças alienígenas. E, no meio disso tudo, o exército armado, fardado pelas ruas. Eu ficava observando tudo isso. Coisas e costumes tão diferentes. Tudo junto e misturado, cada um na sua. Me pareceu um filme.
Por fim, fomos caminhando pela rua deserta até nossa pousada, sem nenhuma preocupação com nada, curtindo o céu estrelado e sem poluição.

Principal rua da cidade

No último dia, Doris ainda nos ofereceu um passeio de lancha pelo rio, mas teríamos que acordar cedo para dar tempo de chegar ao aeroporto. Preferimos não ir, pois o rio seria o mesmo, nada de novidade e anda por cima, iria ficar corrido. Melhor mesmo ficar na cidade observando a vida passar devagar...

Entrega de leite fresco


La Macarena


Dicas pra quem vai:

A companhia aérea que nós fomos é a SATENA. Ela também já vende o voo encaixado com o pacote completo: passeio, hospedagem e refeições. 

Doris Mora (31349960380): essa é a pessoa certa. Se você for a Caño Cristales, faça contato prévio com ela para encaixe do passeio ao rio, pousada, refeições e vai estar tudo certo.

video




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Mais fotos:

Taxa de entrada paga pelos turistas


Nosso avião




Salão de embarque/desembarque do aeroporto


O meio de transporte mais usual: tuk tuk


Almoço da chegada




Primeiro contato com as cores


Barreira militar



Calmaria


Nosso local de hospedagem


E nossa bucólica vizinhança


Explicações sobre a preservação do local


Buñuelos quentinhos de manhã


Rio Guayabero


Saindo para o passeio principal ao rio das 5 cores








Muita caminhada




O lilás é a cor predominante




Parada para o almoço que  enrolado em folhas de bananeira


E mais caminhadas....


Noite de sinuca






Olhando a vida passar....

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