domingo, 18 de junho de 2017

A volta do Deserto do Saara (Rissanni, Gargantas de Todra, Ourzazarte e o Kasbah Ait Bem Haddou)

Vale do Todra


Saindo do deserto, de volta à estrada, as cidadezinhas amareladas de adobe iam sucedendo-se umas após as outras, com suas ruas empoeiradas e casas simples. 


Em uma delas chamou-me atenção o fato de todas as mulheres que vi nas ruas estarem totalmente cobertas de preto, com aqueles vestidões e véus. Algumas com o Hijab, o traje que cobre tudo, com exceção dos olhos. O guia nos disse que era a tradição do local.
Nossa primeira parada foi em Risanni, antiga capital dos sultões Alaouites, dinastia que até hoje reina no Marrocos, um oásis pertinho do deserto e conhecido por suas tâmaras. Risanni fazia parte da “rota do sal”, rota de comércio que ligava o norte e o sul do Saara e em razão disso foi muito próspera.
Na cidade tem um mercado famoso que somente depois soube da existência e lamentei o fato de não o ter visitado. Fica a dica para quem for e gostar de mercados (como eu).
Levadas por um guia local, visitamos a mesquita onde está o mausoléu do rei Moulay Ali Cherif, exatamente o fundador da dinastia Alaouite. Claro que, por não sermos muçulmanas, não pudemos adentrar o mausoléu, contentando-nos com o pátio interno da mesquita.
Porém, o mais interessante foi a ligeira caminhada pelo Kasbah, residência típica do povo do deserto, os berberes.
Cercados por muros altos, os kasbahs eram feitos para proteger seus moradores de ataques, bem como de tempestades de areias. Têm ruazinhas estreitas e casas feitas de adobe.
De acordo com o guia, no kasbah que visitamos vivem 65 famílias.

Uma das portas de entrada na Kasbah de Risani
Depois de uma passada em lojas de venda de peças de prata e tapetes, seguimos pela estrada e uma breve parada em antigos poços subterrâneos, ligados uns aos outros por túneis para minorar os efeitos da escassez de água no deserto. Atualmente eles estão secos e funcionam somente para visitação turística.
Depois de tantas novidades e descobertas, chegamos ao ponto alto do passeio daquele dia: as Gargantas do Todra, formações rochosas com penhascos que chegam a atingir 300 metros e impressionam pela extrema beleza.
Um riozinho passa por entre  o desfiladeiro, enquanto turistas fotografam, compram lembranças nas tendas de souvenirs e os mais corajosos aproveitam para fazer rapel.
As beleza do Marrocos! 💗

As Gargantas de Todra
O dia puxado continuou por mais aproximadamente 200km quando finalmente chegamos em Ouarzazate, cidade grande, mas que não conhecemos pois nos serviu apenas de pouso para dormida em um excelente hotel, que por sinal, foi muito bem vindo depois de um dia tão cansativo. Bom jantar, uma cevejinha e boa dormida 😊😊
O dia seguinte foi nosso último dia em terras marroquinas e eu digo sem receio que esse último dia foi fechado magistralmente com mais uma atração de tirar o fôlego.
Antes, breve passada nos estúdios de cinema de Ouarzazate. Sim, a cidade é conhecida como a “Hollywood do Marrocos”. Os estúdios são abertos à visitação turística mas não me interessei pelo tour e enquanto a Cris entrou para conhecer ligeiramente, eu preferi ficar descansando no carro.
Após a excursão cinematográfica da Cris, o Ksar (cidade fortificada) Ait bem Haddou nos esperava praticamente ainda vazio de turistas no começo daquela manhã.
Esse Ksar ficava na “rota do sal”, no meio do intenso fluxo comercial de caravanas na região, entre o Saara e Marakeche, bem localizado sobre uma colina, estrategicamente para prevenir ataques.

Após a ponte, as casinhas em sdobe do antigo ksar se confundem com a montanha e, no topo, a construção mais alta se destaca
Hoje, o complexo é explorado turisticamente. Suas casas de adobe não são  mais residências e abrigam diversas lojinhas de artesanatos e souvenirs, além de servirem de cenário para diversos filmes de época, alguns famosos como Lawrense da Arábia, A Múmia, Gladiador e diversos outros.
Todo aquele pequeno mundo marrom, ruazinhas labirínticas e, do alto, a visão do vale, impressiona pela beleza. Mais um lugar de encher o coração, os olhos, a alma. 

Logo abaixo, o ksar antigo. Mais afastada, a cidade atual


Infelizmente, hora de terminar nossa incrível aventura pelo Marrocos. Para isso, teríamos que voltar a Marrakech, de onde pegaríamos nosso avião para Madri e, para não deixar de nos impressionar sequer um segundo, a estrada por si só é mais uma bela atração.
Através da Cordilheira do Atlas, um zig zag constante que pede um “dramim” (até para quem não costuma enjoar, como eu), compensado pela parada no ponto alto, para observarmos a “serpente” que tínhamos vencido.

Marrocos, foi uma experiência incrível, inesquecível!
Sem exagero, ficará cravado nas minhas memórias e boas recordações e um dia, eu sei que volto....





Hotel em Ouarzazate : Dar Chamaa – Muito bom hotel em relação aos apartamentos e serviço. Ah! E serve bebida alcoólica! hahaha


Vídeos:


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Mais fotos:

Porta trabalhada em madeira da Mesquita de Risanni


Tamareiras. A cara do Marrocos


Loja de objetos de prata

e tapetes


Mercado de animais em Risanni

Por dentro dos poços subterrâneos

Os poços subterrâneos do deserto

Ruas das cidades pela estrada

Vale do Todra


Gargantas do Todra






Foto:Cris





Cidades pela estrada




Ourzazate

Hotel em Ourzazate



Um dos estúdios de cinema em Ourzazate


Entrada para o Ksar Ait Ben Haddou

Ruazinhas de adobe e as lojas com artesanato





















Os filmes realizados no local















A estrada de Ourzazate para Marrakech



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