domingo, 10 de fevereiro de 2019

Santiago de Compostela, o "caminho" que entrou pra lista de sonhos (maio/2018)


Catedral de Santiago
Uma vez que estaria no norte de Portugal e com tempo, uma esticadinha até Santiago de Compostela cabia no roteiro. Ver a catedral e conhecer a cidade mítica famosa pelo seu “caminho”. Caminho este que por inúmeras vezes já haviam me perguntado se eu não tinha vontade de fazer. A resposta era sempre a mesma: não.
Mas de onde nasceu essa história de caminho (também conhecido como Via Láctea), cujo símbolo é a vieira (uma concha) e o cajado? Por que essa fama?

Brevemente.
Santiago foi discípulo de Jesus. Conhecido como Tiago, filho de Zebedeu, ou Tiago Maior (para diferenciá-lo do outro discípulo Tiago, o Menor), segundo a lenda, andou pregando na península Ibérica, mas voltou para Jerusalém e lá foi morto, por ordem de Herodes Agripa I.

Seus seguidores então transportaram seu corpo para a Galícia (ou Galiza), região ao norte de Portugal, hoje pertencente à Espanha, e lá o sepultaram.

Um dia, lá pras bandas do ano 812, uma estrela brilhou muito no céu, chamando a atenção de um eremita de nome Pelágio que através desse “sinal” descobriu um túmulo de pedra com três corpos, que seriam o de Tiago e dois de seus discípulos.

Nessa época a Espanha não era unificada e o rei Afonso II, vendo na descoberta uma maneira de chamar a atenção para a região, manda construir uma igreja no local do sepulcro encontrado, torna-se o 1º peregrino e inaugura assim uma das maiores rotas de peregrinação cristã, que nos dias de hoje só fica atrás de Jerusalém e Roma.

Para quem decide fazer a peregrinação, são várias as rotas. A mais  popular é a francesa, que sai de Saint-Jean-Pied-de-Port e tem por volta de 800km.
Isso não quer dizer que a pessoa para fazer o caminho precisa andar 800km. O peregrino escolhe quantos dias quer caminhar, a rota que quer fazer, parando em estalagens ou hotéis para dormir.

Depois de andar pela cidade, me impressionar com a beleza e grandiosidade da catedral, eu e Neide resolvemos “fazer” parte do caminho, indo até o que seria a última parada dos peregrinos, onde os mesmos se alegram ao avistar ao longe as torres da catedral de Santiago e que por esse motivo é chamado de Monte do Gozo, para voltar a pé com eles, sentindo um pouco essa experiência.

Fomos de ônibus (pense em duas peregrinas fuleiragens! 😁😀) mas voltamos caminhando, claro. A rota, sempre cheia. Idosos, grupos de jovens, pessoas sozinhas, ciclistas.
Um dos símbolos da rota

Fazendo parte do caminho com os peregrinos

Monte do Gozo

Deu pra sentir um pouco sim. Deu pra sentir como deve ser bacana fazer esse caminho, conhecer pessoas de todo o mundo, ter a satisfação de vencer um dia difícil de caminhada.


Deu pra sentir o que deve ser a emoção daqueles últimos quilômetros no grito da mulher que esperou pacientemente todo um grupo barulhento descer do pequeno monte com as estátuas dos peregrinos para soltar um grito. Não. Um berro. De satisfação, de alegria, de conquista, ou sei lá o quê...

O grito e a satisfação da peregrina ao estar terminando seu caminho
Deu pra sentir o que deve ser a emoção de chegar à cidade e, mais ainda na Catedral, para assistir à missa do peregrino ao meio dia, ou descansar na Praça do Obradoiro, (em frente à Catedral, ladeada pela sede do Governo Galego e pelo bonito Hospital dos Reis Católicos) olhando os peregrinos que chegam de suas jornadas, observando no rosto de cada um, nos abraços, nos sorrisos, a alegria da conquista pessoal.


Descanso na Praça do Obradoiro


No final de tudo, deve ser indescritível sentar em uma das mesas dos bares e restaurantes sempre lotados, para comer o queijo Tetilla saboreando um vinho e, de sobremesa, a também tradicional torta de nozes, ou mesmo um chope no 100 Montaditos (adooooro!!!),  relembrando a aventura.

O tradicional queijo tetilla

e a torta de nozes
Nós, apesar de termos feito míseros 5km, tivemos a sorte grande de estar na cidade no dia de missa com o botafumeiro (não é sempre que tem) e foi emocionante por demais (arrepiante!) todo aquele ritual para no final ter sobre nossa cabeça o incensário de 53kg balançando pra lá e pra cá ao som do coral, como que abençoando a todos.

O balanço do botafumeiro



Dentro da igreja, uma fila para entrarmos em um cubículo rapidamente e vermos a tumba de Santiago.


Se deu vontade de fazer o caminho? Deu sim!
No meu caso, não por questões religiosas. Mas pra curtir o percurso, conversar com as pessoas, tomar um vinho em uma estalagem, ouvir o povo conversando em galego.
Agora, quando me fizerem a pergunta, “Já fez o Caminho de Santiago?”, com certeza a resposta será: não, mas um dia farei!

Dicas para quem vai:

Como chegar: saímos de Braga, Portugal, de ônibus (3 horas de viagem).
Hotel: inúmeras opções. Ficamos em um simples, acolhedor, quarto amplo e muito bem localizado: PR Santo Grial. O único problema era que de manhã bem cedo paravam caminhões para descarregar mercadorias para os bares, então, quem tiver o sono leve, não recomendo.
Para um hotel melhor, deixo registrada a recomendação do amigo que já esteve por lá várias vezes, na verdade três hotéis do mesmo dono: Hotel Altair, Moure Hotel e Hotel Costa Vella.


Veja mais sobre a Espanha: Sevilha com Córdoba no caminho (abril 2016)  
                                                 Madri e um bate/volta a Toledo 
                                          EDP ROCK 'N' ROLL MADRID MARATÓN - 24/4/2016
                                          Portugal e Espanha no Aniversário da Matriarca- 2010
                                                   Medio Maraton de Valencia - novembro 2010

Mais fotos:

Ônibus que nos levou para Santiago
Ruas de Santiago

Uma Estrella


Últimos kms do caminho
Apreciando as belezas no caminho
Monte do Gozo




Última parada



Botas dos peregrinos




Chegando à cidade

 
Descansando na chegada

Catedral

A coincidência de um encontro

Com Neide, brindando no "100 Montaditos"


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