sábado, 3 de março de 2012

Europa 2009 III - Regensburg Marathon


A partir do momento que fiquei sabendo do dia da minha ida e da minha volta à Europa, assim como tendo uma visão geral de qual seria nosso roteiro por lá, comecei a procurar na internet corridas na mesma época  pelos países que iríamos.
No começo procurei por uma meia maratona, mas uma inflamação nos meus tendões de Aquiles me tiraram dos treinos por um período e eu fiquei sem tempo pra treinar o necessário para fazer os 21km até a época da viagem então busquei por corridas com percursos menores.
Não consegui encontrar nenhuma nos finais de semanas que estaria com meus primos, então procurei pelo menos algo que fosse perto das cidades em que estaríamos e encontrei a Maratona de Regensburg, na Alemanha.
Era uma maratona sim, mas também teria uma prova de 21km, uma de 10km e uma maratona toda de patins.
Inscrevi-me pros 10km e, de Cesky Kumlov segui sozinha de trem pra Regensburg.
Cheguei ainda pela manhã e naquele horário me chamou a atenção a quantidade de alemão tomando cerveja na lanchonete da estação. Ô povim pra beber!
Peguei um taxi e fui pro albergue, que era simples, limpo, silenciosíssimo e, diferente dos outros, não tinha sempre um recepcionista pra qualquer precisão. Precisávamos tocar uma campanhinha pra aparecer alguém. Beeeem alemão.
Albergue com quarto misto. Entrei no quarto pra deixar minha mala e achei tudo muito limpinho, arrumadinho. Éram dez (!) camas e somente cinco estavam ocupadas. Deixei minha mala e fui bater perna pela cidade.





Quarto do albergue


Regensburg é um amor de cidade.

Cortada pelo rio Danúbio, é uma das cidades mais antigas da Alemanha.




Pertinho do hotel, bastando atravessar uma ponte, estava tendo uma big feira, tipo quermesse, com roda gigante, tiro ao alvo e, claro, muita gente bebendo cerveja. Ô povim pra beber! (2).


O Rio Danúbio e a roda gigante do festival
Passeei bastante, comi e voltei pra dormir.
Chegando no meu quarto não havia ninguém. Pouco tempo depois chegaram 2 lourões com capacetes, casacos de couro, mochilas. Conversaram um pouco entre si, foram ao banheiro, me deram boa noite e saíram. Depois chegou um rapaz que falou ser tunisiano. Tabalhava na França e estava ali pra visitar uns amigos. Foi por ele que soube que a tal quermesse na verdade era um festival anual de cerveja. Só podia! Ainda perguntou se eu não queria ir por lá com ele, mas preferi ficar na minha e logo adormeci.
No dia seguinte, descobri que a experiência de dormir em quarto de albergue com homens tem uma grande vantagem: pela manhã eles são rápidos e silenciosos ao se arrumarem pra sair, bem diferente da mulherada, sempre demorada e barulhenta.
Saí então pra feira da corrida que era em um galpão grande, ao lado de uma piscina coberta.




O local já estava todo pronto pra prova do dia seguinte. Tinha uma feira de produtos esportivos e muita gente circulando.



Feira da material esportivo
Peguei meu no. de peito, chip e um ticket de almoço de massas. O kit não tinha camiseta. A camisa da prova estava à venda pra quem quisesse.




O almoço era servido no estilo "bandeijão", fila de corredores, um só tipo de macarrão e dois tipos de molho pra escolher. Pra beber... Claro! Cerveja. Mas era paga. Sentei em uma das mesas e conversei um pouco com dois corredores que iriam fazer a maratona.


Almoçando meu macarrão com cerveja
Ainda assisti  a corrida infantil de 1km e depois, como tinha bastante tempo, voltei pro albergue caminhando.
Ao chegar, o quarto que na noite anterior só tinha 5 pessoas, estava lotado, inclusive com 3 pessoas que iriam participar da maratona de patins.


 Apesar de muita gente no quarto, tudo foi tudo tranquilo e na manhã seguinte eu fiz questão de ser a 1a a acordar, a 1a. a usar o banheiro e partir pra minha corrida. Como ainda estava muito cedo, fui caminhando até a estação de trem onde pegaria um ônibus.
Chegando no local da prova já tinha muito corredor (7500 inscritos).
Primeiro foi a largada da maratona de patins, depois a maratona, a meia maratona e finalmente a prova de 10km.


Largada da maratona de patins
Largada da maratona
Eu já sabia que haveria 16 bandas de música espalhadas pelo percurso da maratona. A prova de 10km teve direito a duas dessas bandas. O percurso passou pelo centro da cidade e somente nesse local tinha muita gente torcendo pelos corredores.




Passando pelo centro da cidade
Meus tendões não doeram nada e terminei minha prova muito feliz.
Apesar do kit fraquinho, a medalha foi muito bonita (diferenciada de acordo com a prova).






A dispersão era em um grande gramado, com local pra massagem.


Água potável em torneira pra amenizar o calor
Fiquei observando tudo aquilo e depois peguei minhas coisas no guarda volumes e fui procurar a tal piscina coberta onde nós corredores teríamos o direito de tomar banho de ducha ou usufruir da piscina.
Saí disposta a tomar banho pra chegar no albergue já pronta, pegar minha mala e seguir  pra pegar meu trem que sairia mais tarde.
Entrei no tal ginásio e segui as mulheres que, assim como eu, vinham da corrida e entrei numa fila pra tomar o banho. Tinha a fila das mulheres e a dos homens. Ainda na fila, passou por mim um homem se enxugando com sua toalha: completamente nu. Depois mais outro e, logo que entrei no banheiro, me deparei com todo mundo misturado tomando banho nu junto. Tudo muito natural. Beeem alemão! (2)

Na hora, a vontade que tive foi de cair na gargalhada..Com minha mochila embaixo do braço dei uma boa disfarçada e achei melhor sair sem tomar meu banho. Até hoje não entendi o porquê daquelas duas filas separadas pra homem e mulher!
Fui pro ponto de ônibus pra poder voltar pro albergue. Esperei um tempo pelo ônibus, até que comecei a achar estranho não passar nenhum e também o fato de não chegar nenhum corredor na parada. Até que passou alguém que me disse que os ônibus tinham mudado a rota por causa da corrida.
Voltei pro local da prova e cheguei até um balcão de informações. As pessoas ali só falavam alemão! Nadica de inglês. Me mostraram o local do ônibus e me disseram qual pegar. Claro que não entendi nada, mas segui a onda de corredores. Cheguei a um local que havia muitos ônibus da própria prova. Como era indiferente pra mim, peguei o primeiro que chegou.

Já lá dentro, encontrei um rapaz que falava inglês e que me disse que meu ônibus não era aquele. Desci e peguei outro. Enquanto o ônibus andava, eu ia observando o trajeto pra ver se via algo familiar. Nada.... Então o ônibus parou e todos desceram. Tive que descer também. Não tinha a mínima ideia de onde estava. Saí andando. Por incrível que pareça, não apareceu um taxi sequer. Olhava o nome das ruas, olhava pro meu mapa e não conseguia me localizar. Continuei andando sem saber pra onde estava indo.
Já estava começando a querer entrar em desespero, quando vi um carro de polícia. Com um inglês muito sofrível, mas salvador, os policiais me indicaram a direção que eu deveria ir e continuei caminhando até finalmente me localizar no mapa. Ainda andei uns bons quarteirões até chegar na estação de trem onde peguei um taxi pra voltar pro albergue e, o trajeto que na ida levou meia hora, na volta eu gastei 3 horas e meia, entre ônibus errados e caminhadas sem rumo! Ainda bem que a corrida tinha sido só de 10km!
Cheguei no albergue a tempo só de pegar minha mala e partir pra estação onde iria pegar um trem pra Praga e reencontrar a Lena e o Del.

Albergue em Regensburg: Abotel-Regensburg  (Donaustaufer Straße 70)

2 comentários:

Anônimo disse...

Garota dei muita garglhada lendo esse post.Fiquei apaixonada pela beleza da cidadizinha. Maratona de patins?? o asfalto da cidade deve ser um tapete.kkk parabens pela coragem.
Neide

Lia Campos disse...

kkkk
Foi comédia mesmo! Rememorando agora, até eu fico admirada com a coragem! É mt verme por corrida!